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Política

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Empresário contratado por produtora de 'Dark Horse' é réu por feminicídio e suspeito de integrar PCC, diz TV

Preso sob acusação de matar a esposa, o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos atuou em contrato de wi-fi da Prefeitura de São Paulo

26 jun 2026 - 11h46
(atualizado às 11h56)
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Alex Leandro Bispo dos Santos é suspeito de matar a companheira; antes da prisão, ele levou flores e chorou no velório dela
Alex Leandro Bispo dos Santos é suspeito de matar a companheira; antes da prisão, ele levou flores e chorou no velório dela
Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio de uma empresa ligada à produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, ele está preso sob suspeita de ter matado a esposa ao arremessá-la do 10º andar de um edifício. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada à GloboNews por fontes do MP e da Polícia Civil.

Em nota à TV, o criminalista Eugênio Malavasi, que representa Alex, contestou a acusação de que o empresário faça parte do PCC. "Evidência não é prova. Ele nega, peremptoriamente, integrar facção criminosa", afirmou o advogado. Em relação à denúncia de feminicídio, Malavasi também negou a versão apresentada pela acusação e declarou que "o Alex não jogou sua companheira como quer crer o Ministério Público".

As investigações sobre a produtora do documentário que retrata a trajetória de Bolsonaro citam o nome de Santos. A empresa está registrada no mesmo endereço do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é alvo de uma operação da Polícia Civil que apura suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi gratuito na periferia da capital, conforme cálculos da polícia.

Documentos mostram que, até dezembro de 2025, Alex Leandro Bispo dos Santos era o único sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. A empresa foi uma das três contratadas pela ONG de Karina Gama para executar a instalação dos pontos de wi-fi nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. O contrato inicial firmado entre o ICB, a ONG comandada por Karina, e a empresa tinha valor de R$ 12 milhões.

Preso preventivamente, Santos responde à acusação de feminicídio pela morte da companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. Ela morreu após cair do 10º andar de um edifício na Vila Andrade, na Zona Sul de São Paulo, em novembro de 2025.

Homem suspeito de jogar mulher do 10º andar chorou ao lado do caixão no velório:

De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, Santos possui uma extensa ficha criminal. Ainda segundo o promotor, ele já cumpriu pena em duas penitenciárias paulistas que abrigam integrantes da cúpula do PCC: os presídios de Mirandópolis e de Presidente Venceslau, no Oeste do Estado.

Consulta realizada pela GloboNews ao arquivo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou que o nome de Santos aparece em mais de 60 processos judiciais. Isso não significa, necessariamente, que ele seja réu em todas as ações, mas indica que está relacionado de alguma forma aos casos. Grande parte deles envolve a esfera criminal.

Nos registros constam acusações como roubo, extorsão mediante sequestro e feminicídio. A relação também inclui processos movidos pela própria defesa, entre eles pedidos de revisão criminal para tentar anular condenações ou decisões judiciais anteriores, o que ajuda a explicar o elevado número de ações vinculadas ao nome de Santos.

O que se sabe sobre 'Dark Horse', filme de ficção sobre Jair Bolsonaro:

Contrato de R$ 12 milhões

Firmado em junho de 2024, o contrato entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, na gestão Ricardo Nunes (MDB), passou a ser alvo de questionamentos. Embora não tivesse experiência na instalação desse tipo de tecnologia na capital paulista, a ONG presidida por Karina da Gama terceirizou a execução e a gestão dos pontos de wi-fi para empresas como Ultra IP Tecnologia e Serviços LTDA, Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. e Complexsys Soluções Integradas LTDA.

De acordo com a reportagem, a Favela Conectada assinou um contrato inicial de R$ 12 milhões com o ICB logo após a entidade ser contratada pela Prefeitura de São Paulo para executar o serviço. Na época, o único sócio da empresa era o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos. No primeiro contrato firmado com a ONG, em 2024, ele aparece identificado apenas como Alex, sem sobrenome, CPF ou número de documento.

Segundo a prestação de contas do Instituto Conhecer Brasil, a empresa ficou responsável pela instalação de mais de 900 pontos de internet em comunidades da capital. Pelas notas fiscais apresentadas à Prefeitura de São Paulo até o fim de dezembro de 2025, a Favela Conectada recebeu mais de R$ 3,8 milhões.

As suspeitas envolvendo esse contrato vieram a público em dezembro de 2025, após reportagens publicadas pelos portais The Intercept Brasil e Metrópoles. Naquele momento, Santos já era investigado pela Polícia Civil pelo feminicídio da companheira. No mês seguinte, a Favela Conectada deixou de tê-lo como único sócio e passou a ser controlada por Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, conforme registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

Ainda de acordo com a Jucesp, Tatiane reside no mesmo endereço de Alex, na Rua Ernesto Paglia, na região do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. A defesa dela não foi localizada para comentar o caso.

O que dizem a Prefeitura de SP e o ICB

Em nota à GloboNews, a Prefeitura de São Paulo afirmou que nunca manteve contrato direto com a Favela Conectada nem com seu administrador, ressaltando que a relação jurídica era exclusivamente com o Instituto Conhecer Brasil. Segundo a administração municipal, cabe à entidade parceira selecionar e fiscalizar empresas terceirizadas, enquanto o município acompanha apenas o cumprimento das metas previstas no contrato. A gestão também afirmou que o programa WiFi Livre segue em funcionamento, que não há irregularidades confirmadas pelas investigações e repudiou qualquer tentativa de associar a administração ao crime organizado.

Já o ICB informou que a contratação da Favela Conectada foi baseada em critérios técnicos e na experiência do representante da empresa em projetos de conectividade em Paraisópolis. A entidade afirmou que não encontrou impedimentos legais para a contratação e destacou que o empresário estava em situação regular perante a Justiça. Segundo o instituto, o contrato foi rescindido assim que a investigação por feminicídio veio a público, em dezembro de 2025, e não houve prejuízo aos recursos públicos. O ICB acrescentou que eventuais suspeitas de ligação com facções criminosas são de responsabilidade das autoridades policiais.

Fonte: Portal Terra
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