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Política

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Eleições 2026: Bancada feminina pode chegar a 22 integrantes no Senado

Ao todo, 16 candidatas devem conseguir se eleger. Mulheres lideram pesquisas de intenção de voto em nove Estados e no DF

2 out 2026 - 03h26
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Resumo
Segundo pesquisas para as eleições de 2026, a bancada feminina no Senado pode crescer 46,6% e atingir 22 parlamentares, ocupando 27,1% das 81 cadeiras. Das 54 vagas em disputa, 16 devem ir para mulheres, com lideranças consolidadas em dez estados e no DF, único cotado a eleger duas senadoras, com destaque para a liderança de Michelle Bolsonaro. O avanço trará 11 novos nomes à Casa, incluindo quatro ex-primeiras-damas, mantendo contudo a sub-representação feminina mesmo com o salto histórico.

BRASÍLIA - No xadrez das eleições de 2026, a bancada feminina pode passar de 15 para 22 integrantes no Senado Federal, ou seja, sete vagas a mais, mostra levantamento do Estadão com base em pesquisas eleitorais mais recentes. Esse salto de 46,6% nos números não altera o cenário de menor representatividade das mulheres na Casa.

Se as projeções se confirmarem, as 22 senadoras representarão 27,1% - pouco mais de um quarto - dos 81 titulares da Casa.

O Brasil elegeu a primeira senadora, Eunice Michiles (do extinto partido Arena, pelo Amazonas), em 1979. O País levou 153 anos para ter a primeira mulher no posto desde a criação da Câmara dos Senadores (posteriormente, Senado Imperial), em 1826, durante o Império de D. Pedro I.

Das 54 cadeiras em disputa neste ano, 16 (29,6%) devem se destinar a mulheres, segundo as pesquisas. Nove senadoras terminam mandatos em 1.º de fevereiro de 2027, ao passo em que 16 candidatas podem se eleger ou se reeleger em 14 Estados e no Distrito Federal. Outras seis têm mandato até 2031.

As eleições de 2026 renovam dois terços das 81 vagas do Senado e cada unidade federativa escolhe dois representantes para mandatos de oito anos nas urnas. Conforme as projeções eleitorais, outros 12 Estados devem eleger apenas homens.

Fachada do Congresso Nacional: se projeções se confirmarem, mulheres representarão 27,1% dos 81 titulares do Senado
Fachada do Congresso Nacional: se projeções se confirmarem, mulheres representarão 27,1% dos 81 titulares do Senado
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

Candidatas lideram pesquisas de intenção de voto em dez Estados e no Distrito Federal, que vive um caso atípico: deverá ser o único a eleger duas mulheres. Estreante nas urnas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) é dada como quase certa na primeira cadeira, com 26% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro, puxada por eleitores conservadores e bolsonaristas.

Com 19%, a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) busca a reeleição na segunda vaga, mas o cargo não está assegurado. As principais concorrentes dela são as deputadas federais Erika Kokay (PT-DF), com quem forma chapa, e Bia Kicis (PL-DF), dupla de Michelle. Ambas estão empatadas, com 15% das intenções de voto.

O levantamento do Estadão considerou as duas primeiras colocações das últimas pesquisas eleitorais da Quaest por Estado e pelo Distrito Federal, divulgadas de 22 a 25 de setembro. Como o instituto não divulgou dados relativos ao Piauí, a reportagem usou os números do Atlas publicados na terça-feira, 29.

Os números de votos em branco e nulos e de eleitores que ainda não definiram candidatos é considerável na maioria dos Estados, o que pode mudar as peças do xadrez até as eleições. Os levantamentos, portanto, são indicativos das votações, não previsões de resultados.

A renovação prevista para 2027 deve contar 11 novas senadoras. Na lista, figuram quatro ex-primeiras-damas: Gracinha Caiado (União-GO), do Estado de Goiás; Marina JHC (PSDB-AL), de Maceió; e Rayssa Furlan (Podemos-AP), de Macapá, além de Michelle.

O quarteto está perto de se eleger pela primeira vez. Das três, só Rayssa se candidatou anteriormente, também ao Senado, pelo MDB em 2022.

As deputadas federais Caroline de Toni (PL-SC) e Sílvia Cristina (PP-RO), as ex-deputadas federais Marília Arraes (PDT-PE) e Manuela D'Ávila (PSOL-RS), a ex-prefeita de Contagem e ex-deputada estadual Marília Campos (PT-MG), a ex-prefeita de Boa Vista e ex-deputada federal Teresa Surita (MDB-RR) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB-MT), filha do ex-deputado estadual José Riva (sem partido), também estão cotadas para alçar à Casa pela primeira vez.

Conforme as pesquisas eleitorais, duas senadoras despontam para a reeleição: Leila e Zenaide Maia (PSD-RN). Eliziane Gama (PT-MA) e Soraya Thronicke (PSB-MS), por sua vez, podem ficar de fora.

Três deputadas federais estão cotadas para voltar a ocupar assentos no Senado. São elas: a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva (Rede-SP) e as ex-governadoras do Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT-RJ) e do Maranhão Roseana Sarney (MDB-MA), hoje licenciada para se dedicar à campanha.

No entanto, o número ainda pode aumentar porque 12 candidatas estão fora das duas vagas nas pesquisas da Quaest, mas dentro da margem de erro de 3 pontos porcentuais. É assim com Simone Tebet (PSB-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Mara Rocha (Republicanos-AC), Luizianne (Rede-CE), Maguinha Malta (PL-ES), Rose de Freitas (MDB-ES), Cristina Graeml (PSD-PR), Samanda de Lula (PT-RN), Mariana Carvalho (Republicanos-RO) e Helena da Asatur (PSD-RR), além de Eliziane e de Soraya.

Parte do eleitorado costuma definir os votos na reta final da campanha. É improvável, porém, que todas passem à frente e vençam nas urnas.

Entre as atuais senadoras que poderiam tentar se reeleger, quatro mudaram a rota. Daniella Ribeiro (PP-PB) deixou de ser cabeça de chapa para ocupar a suplência do candidato ao Senado e ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB) - pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A decisão selou a aliança em prol da reeleição do filho dela, Lucas Ribeiro (PP), a governador da Paraíba.

Dra. Eudócia (PSDB-AL) assumiu o mandato após Rodrigo Cunha (Podemos-AL) renunciar para concorrer a vice-prefeito de Maceió em 2024. A senadora, portanto, disputará as eleições novamente como suplente, dessa vez de Marina JHC.

As alianças não param por aí. Marina é esposa do candidato a governador de Alagoas e ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), de quem incorporou a alcunha ao nome na urna em busca de identificação do eleitorado. A renúncia dele para disputar as eleições de 2026 abriu espaço para Cunha assumir como prefeito.

A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, Mara Gabrilli (PSD-SP), se lançou à deputada estadual na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Já Roberta Acioly (Republicanos-RR) tenta a Câmara dos Deputados. Só Ivete da Silveira (MDB-SC) decidiu não concorrer. Ambas assumiram os cargos como suplentes, respectivamente, do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TRE-RR) Mecias de Jesus e do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), na atual legislatura.

Estadão
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