Eleição brasileira vai definir entre democracia e negacionismo, diz Lula na ONU
Na ONU, o presidente Lula declarou que a próxima eleição definirá o destino do Brasil entre a democracia e o negacionismo, prometendo conter inimigos internos e externos da soberania popular. Ele defendeu o sistema eleitoral, criticou ingerências estrangeiras em pleitos mundiais e rejeitou a terceirização do combate ao crime organizado em resposta aos EUA. Lula também assegurou a continuidade do combate à corrupção e rechaçou pressões de multinacionais para a privatização do Pix.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para falar sobre a eleição do mês que vem. No discurso para autoridades globais feito na manhã desta terça-feira, 22, o presidente declarou que os brasileiros irão decidir entre "a democracia e o negacionismo".
"No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo, se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão", disse o presidente na sede da ONU, em Nova York (EUA).
O presidente declarou também que o governo brasileiro impedirá a atuação do que ele classificou como "inimigos da democracia brasileira" que atuam em território nacional e no exterior. Para a ONU, Lula disse que são cometidos abusos de autoridade para o benefício de interesses estrangeiros.
No fim do discurso na ONU, Lula propagandeou o sistema eleitoral brasileiro e disse que todos os candidatos terão "a mais ampla liberdade de expressão.
"Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha, mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular", disse Lula.
Ingerência externa
Mais cedo, no mesmo discurso Lula afirmou que o mundo voltou a presenciar uma ingerência externa nas eleições. O líder brasileiro, porém, não fez uma denúncia explícita da atuação dos Estados Unidos perante o pleito presidencial que ocorre neste ano.
"A democracia está novamente em xeque, voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", disse o presidente.
Lula também mandou recados aos EUA no combate ao crime organizado, meses após Washington classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Lula disse que o País não vai "terceirizar responsabilidade" para enfrentar os grupos. O presidente também afirmou que o combate à corrupção continuará no Brasil.
Pix
Lula também afirmou, em seu discurso, que há pressão de multinacionais para a privatização do Pix. "Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros", disse.
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