Douglas Ruas: quem é o policial civil e deputado que deve ser declarado eleito governador do RJ
O deputado estadual e policial civil Douglas Ruas (PL) deve ser confirmado governador do RJ em 1º turno, superando Eduardo Paes após o TSE anular os votos de Anthony Garotinho. Filho do prefeito de São Gonçalo, Ruas foi secretário de Cidades e elegeu-se com foco na segurança pública. Ele assume após crises que levaram à renúncia e inelegibilidade de Cláudio Castro e à cassação de Rodrigo Bacellar. Em sigilo, Ruas é investigado sob suspeita de enriquecimento ilícito ligado a empresas.
O policial civil e deputado estadual Douglas Ruas (PL) deve ser declarado governador eleito do Rio de Janeiro nos próximos dias, com a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno da disputa estadual nesta quinta-feira, 8. Com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ruas tem mais de 50% dos votos válidos e supera Eduardo Paes (PSD) ainda na primeira votação.
Ruas tem 37 anos e é natural de São Gonçalo, município na região metropolitana da capital. Ele é casado e tem um filho. Ele é do Partido Liberal (PL), mesma sigla do ex-governador Cláudio Castro, que renunciou em março de 2026 para concorrer ao Senado e depois foi declarado inelegível por abuso de poder econômico na eleição de 2022. O pai de Ruas é o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson Ruas.
O novo governador fluminense é formado em Direito, tem pós-graduação em Gestão Pública e também foi policial civil. Ele atuou como inspetor na 81ª Delegacia de Polícia, em Itaipu, e na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá.
A trajetória de Ruas na vida pública começou como subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, depois superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e como secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais da cidade, na gestão do pai dele, capitão Nelson, de 2021 a abril de 2022. Uma denúncia de nepotismo foi feita e investigada pelo Ministério Público, com pai e filho negando ilegalidades.
Nas eleições de 2022, Ruas foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro com 175.977 votos, a segunda maior votação no estado. Segundo o site da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no mandato ele atuou em pautas voltadas à defesa do consumidor, à valorização dos profissionais da segurança pública e ao desenvolvimento regional.
Em setembro de 2023, foi convidado pelo então governador Claudio Castro para ser Secretário das Cidades da administração estadual. No cargo, coordenou investimentos em infraestrutura urbana em diferentes regiões do Estado, como a capital, região metropolitana, baixada fluminense e região dos lagos.
Ruas foi indicado como pré-candidato do PL ao governo do Rio em março de 2026, e precisou deixar a secretaria conforme determina a lei eleitoral. Ele retornou à Alerj para o mandato de deputado.
Na ocasião, a política do Rio estava conturbada. Cláudio Castro renunciou ao mandato de governador para concorrer ao Senado às vésperas de ser julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico. Castro foi condenado e declarado inelegível por oito anos. O vice de Castro, Thiago Pampolha, havia renunciado ao cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), aliado de Castro e Ruas, havia sido preso pela Polícia Federal em dezembro de 2025 por vazar informações sobre uma operação para o também deputado estadual TH Joias, que já havia sido preso anteriormente e acusado de ligação com a facção Comando Vermelho (CV). Libertado após votação da Alerj, Bacellar foi preso depois em nova fase da operação, acusado ele mesmo de ter ligações com o CV, e teve o mandato cassado.
Ruas foi eleito para ser o novo presidente da Alerj, mas a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) considerou que a votação na Casa não foi válida e só poderia ocorrer após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), conforme determinação do TSE no caso que resultou na cassação do mandato de Bacellar.
Após a retotalização, nova eleição foi feita na Alerj e Ruas foi novamente apontado como presidente da Casa. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o presidente licenciado do TJ-RJ, Ricardo Couto, deveria seguir como governador interino até que o próprio STF defina se a escolha do novo chefe do Executivo estadual será por eleição direta ou indireta. Por isso, Ruas não entrou na linha sucessória para assumir o cargo interinamente.
Ruas declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,47 milhão em 2026. Na Alerj, apresentou oito projetos de lei, sem propostas relacionadas a temas polêmicos. Como governador, prometeu foco na segurança pública, afirmando que irá investir na retomada de territórios dominados por facções e milícias, criar o programa Escudo Fluminense, com uso de reconhecimento facial, leitura de placas, drones, scanners de carga e operações integradas e combater a lavagem de dinheiro.
Em um processo que corre em sigilo no TJ-RJ, Ruas é investigado por um suposto crescimento abrupto de patrimônio de duas empresas nas quais tem vínculo societário, a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest Consultoria e Participações.
Segundo o Ministério Público, há suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e crimes relacionados a licitações, além da apuração de uma possível contratação fraudulenta. A investigação começou após uma denúncia anônima. Durante a campanha, afirmou que se tratavam de mentiras e ataques da velha política à candidatura dele e que as investigações seriam arquivadas em breve.
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