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"Doria está morto" para eleições de 2022, diz Bolsonaro

Presidente afirma que governador não representa ameaça na próxima disputa presidencial

31 ago 2019
17h29
atualizado às 17h38
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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado, 31, que um de seus potenciais adversários na corrida eleitoral em 2022, o atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não representa uma ameaça. "Doria está morto", disse.

Segundo o presidente, o governador tem "enchido o saco" e, por isso, ele tem respondido à altura. Bolsonaro afirmou ainda que Doria era "peixe" do PT e que começou a dizer que sua "bandeira não era vermelha" somente após a eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

O presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo João Doria
O presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo João Doria
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

Bolsonaro participou de um churrasco no quartel-general do Exército, em Brasília. Pouco depois de entrar, o presidente mandou os seguranças convidarem um grupo de jornalistas e motoristas de veículos de comunicação que o esperavam na porta para participar do evento. Ele conversou por cerca de uma hora e meia com os jornalistas. A conversa não pôde ser gravada e todos foram orientados a deixar os celulares do lado de fora.

A troca de farpas entre Doria e Bolsonaro se intensificou nos últimos dias após o BNDES divulgar uma lista de pessoas que se beneficiaram de taxas de juros mais baixas para empréstimos para comprar jatinhos. A linha de crédito foi lançada em 2009. Doria, que na época era empresário, está na lista dos que recorreram ao banco de fomento.

Nesta quinta-feira (29), em sua live semanal no Facebook, Bolsonaro afirmou que Doria "estava mamando" em governos do PT, referindo-se à compra de aviões com financiamento do BNDES. A declaração foi rebatida pelo governador, que, em evento em Berlim, nesta sexta-feira, 30, negou ter qualquer relação com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma.

Orçamento

O presidente, no entanto, demonstrou preocupação com os efeitos que a situação das contas públicas sobre suas chances de reeleição. Segundo Bolsonaro, o arrocho orçamentário pode "comprometer 2022". Ele disse, no entanto, não estar preocupado com isso. "Não pode ficar obcecado. É igual quando o rapaz está atrás da menina, se ficar obcecado ela não dá bola, é só esnobar que ela vem atrás."

O governo anunciou nesta sexta uma proposta de Orçamento para 2020 com apenas R$ 89,161 bilhões destinados às chamadas despesas discricionárias, que incluem investimentos e os gastos para manter a máquina pública em funcionamento. É o menor valor dos últimos dez anos. Os investimentos foram estimados em apenas R$ 19,36 bilhões, queda de quase 30% em relação à proposta de 2019.

Além do quadro de dificuldades para 2020, a proposta orçamentária ainda prevê uma sucessão de déficits até 2022, um indicativo de que o governo seguirá gastando mais do que arrecada e elevando sua dívida pública.

A equipe econômica já alertou que os valores são insuficientes para garantir o pleno funcionamento do governo no ano que vem e que buscará medidas para conter o avanço das outras despesas e, assim, abrir espaço no Orçamento.

O teto de gastos limita o avanço das despesas à inflação do ano anterior, mas nem todas estão sob o controle do governo. Benefícios previdenciários e salários têm crescido num ritmo acima da inflação, o que obriga a área econômica a cortar de outras áreas para fazer caber tudo no teto.

O almoço foi uma confraternização com funcionários de gabinetes do Bolsonaro. Foi servido churrasco, arroz, vinagrete, farofa e chope. Bolsonaro disse ter tomado "apenas um golinho", já que teria cota de uma lata de cerveja por mês. "A Michele não deixa mais".

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Estadão
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