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Política

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Dilma não disse ser capaz de fraudar a eleição; vídeo tira de contexto fala de Gilmar Mendes

MINISTRO DO STF DISSE QUE FORMA DE SE EXPRESSAR DA EX-PRESIDENTE SOBRE 'FAZER O DIABO' NA CAMPANHA DARIA MARGEM PARA INTERPRETAÇÕES INFUNDADAS SOBRE LISURA DO PROCESSO DE VOTAÇÃO

1 set 2026 - 09h31
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Resumo
É enganoso o vídeo que atribui à ex-presidente Dilma Rousseff a declaração de que seria capaz de fraudar eleições. A publicação distorce uma fala de 2014 do ministro Gilmar Mendes, que alertava sobre como discursos políticos inflamados — como quando Dilma disse que se pode "fazer o diabo" em campanhas — geram desconfiança popular infundada. Dilma nunca mencionou fraudes, e a integridade das urnas eletrônicas permanece sem registros de adulteração desde a sua implementação em 1996.

O que estão compartilhando: vídeo antigo em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes critica uma fala da ex-presidente Dilma Rousseff. A postagem destaca uma frase, entre aspas: "Eu sou capaz de fraudar a eleição".

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Dilma não disse que seria capaz de fraudar eleição. Em 2013, a presidente fez um comentário sobre diferenças de comportamento durante a campanha eleitoral e no exercício do governo. A declaração textual foi: "Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar".

No ano seguinte, Gilmar Mendes disse que essa forma de se expressar poderia dar brechas a interpretações infundadas sobre a integridade do resultado das eleições. Desde a introdução do voto eletrônico, em 1996, nunca se comprovou fraude.

Saiba mais: circula nas redes sociais um trecho do jornal Os Pingos Nos Is, da emissora Jovem Pan, veiculado em dezembro de 2022. O âncora do programa resgata cenas de uma sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), organizada em 4 de novembro de 2014.

Na postagem que circula agora, foi inserida uma legenda que afirma que os petistas tinham alertado no passado que faziam de tudo para se eleger: "Será que fraudaram em 2022 e o farão em 2026?". O post não mostra a fala completa de Gilmar.

A sessão do TSE negou um pedido do PSDB para criar uma comissão para auditar o resultado eleitoral daquele ano. Naquele contexto, Gilmar apontou causas que desestabilizariam a confiança do público na lisura das eleições.

Mendes citou desinformação que circulava nas redes sociais e responsabilizou autoridades públicas por falas que aumentariam a desconfiança. Ao assistir na íntegra à declaração do ministro exibida pela Jovem Pan, fica nítido que ele criticou uma declaração de Dilma em 2013 e outra de Lula em 2014.

Em março de 2013, Dilma participou na Paraíba da entrega de 576 unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida e de máquinas retroescavadeiras a 22 prefeitos de municípios com até 50 mil habitantes. Na ocasião, ela fez uma diferenciação entre o período de embate eleitoral e o período de governabilidade.

"Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro", disse Dilma.

Em junho de 2014, durante evento da pré-campanha de Dilma em Pernambuco Lula disse: "Eles não sabem o que nós seremos capazes de fazer, democraticamente, para que você seja a nossa presidenta por mais quatro anos nesse País".

Na sessão do TSE, meses depois, Gilmar resgatou esses dois momentos para alertar políticos sobre formas de se expressar que abrem margem para que a população alimente suspeitas e interpretações infundadas sobre as eleições. "Vejam a responsabilidade de pessoas que ficam a falar bobagem, inclusive em campanha eleitoral", disse o ministro. "Veja o peso que isso tem no imaginário das pessoas."

Estadão
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