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Política

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Dilemas, futuro e o que move o eleitor: o capítulo final da disputa entre Lula e Flávio em análise

Colunistas do 'Estadão' avaliam trajetória da campanha até o dia do segundo turno e projetam as obrigações que se apresentarão a um País rachado no dia seguinte à eleição

24 out 2026 - 22h11
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Resumo
A disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro caminha para uma apuração voto a voto, marcada pela polarização entre o cansaço do domínio petista e o medo do radicalismo bolsonarista. Debates sobre segurança e escândalos ofuscaram temas cruciais. O vencedor herdará um País dividido, crise fiscal e forte oposição: Lula terá dificuldades no Congresso, enquanto Flávio enfrentará resistência nas ruas e redes, exigindo vigilância institucional contínua diante dos desafios futuros.

A disputa pela Presidência chegará ao fim neste domingo, 25, quando os brasileiros retornam às urnas para escolher por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). Em uma campanha marcada por discussões sobre a Suprema Corte e crises provocadas por suspeitas de corrupção desencadeadas pelos escândalos do banco Master e do INSS, alguns assuntos importantes passaram à margem dos debates. Depois de um primeiro turno com a menor diferença separando os dois primeiros colocados, as pesquisas indicam uma apuração voto a voto para definir quem comandará o País pelos próximos quatro anos.

Lula e Flávio Bolsonaro ficaram frente a frente em duas ocasiões na campanha.
Lula e Flávio Bolsonaro ficaram frente a frente em duas ocasiões na campanha.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Colunistas do Estadão traçaram avaliações sobre o cenário montado na véspera do pleito, projeções para um futuro governo e desafios que Lula ou Flávio terão de contornar para governar o País.

Justiça eleitoral e segurança pautam debate em uma disputa parelha que opõe cansaço e medo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ganhou holofotes por diferentes temáticas, com maior tensionamento a respeito do uso de canais de WhatsApp, mudanças em seções eleitorais e um desafio eleitoral proposto por Lula para quebra de sigilos dele, de Flávio e de pessoas próximas aos dois.

Para Carolina Brígido, porém, a "postura dos ministros foi, no geral, mais contida" em comparação com o primeiro turno, mas poderia ter havido maior agilidade para exigir isonomia das big techs. "A Corte cobrou isonomia no tratamento das duas candidaturas. Demorou. Poderia ter feito isso no início das campanhas. Também poderia ter criado mecanismos mais eficazes para monitorar o comportamento das redes".

A expectativa é que a marcha da apuração reserve uma batalha acirrada pelos votos. No primeiro turno, Flávio obteve cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula. Carlos Andreazza entende ser possível uma virada do petista desde que ocorram fatos excepcionais. "O eleitor tem rejeitado, a rigor, a reeleição, a incumbência. E Lula precisaria baixar a abstenção botando milhão a mais nas urnas, captar preferencialmente - e fazendo vantagem - os votos de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, e tirar votos, a valer, do adversário. Não é impossível".

Para convencer os eleitores, tornou-se essencial para as campanhas tratar de segurança pública, um dos assuntos de maior preocupação dos brasileiros. Marcelo Godoy entende que neste ponto aparecem diferenças claras entre os dois postulantes ao Planalto, especialmente pelo papel designado às Forças Armadas para o combate ao crime transnacional. "E isso fica mais ainda evidente nos programas dos candidatos para as áreas de Segurança Pública e de Defesa", afirma.

Diferentes analistas tentam identificar nestas eleições qual sentimento que move os eleitores a escolher Lula ou Flávio. Ricardo Corrêa aponta o cansaço pelo domínio de governos petistas na história recente do País e o medo pelo empoderamento de um grupo que se aventurou em movimentos antidemocráticos.

"De um lado, os que agora pendem para Flávio Bolsonaro estão cansados dos mesmos personagens e discursos para enfrentar os problemas do País. [...] De outro, os que preferem ir com Lula têm medo do que pode se transformar um novo mandato para o bolsonarismo. Preocupam-se com o risco de uma nova aventura antidemocrática", diz Corrêa.

Francisco Leali concorda com a observação e levanta a hipótese de como ressoa ao eleitor um "discurso repetido e envelhecido" do PT. "Lula ocupou o lugar de quem prometeu tanta coisa que não se sabe ainda de onde o dinheiro virá se for reeleito. [...] O petista foi o candidato que não ofereceu uma surpresa. Talvez por isso o eleitor possa flertar com quem fabricou-se como a novidade e bancar o risco de ter um amigo de miliciano, parceiro de megabeteiro e filho de golpista na presidência da República".

As consequências do resultado das urnas

A cisão da sociedade a ser flagrada pelas urnas exigirá vigia da sociedade sobre qualquer um que seja eleito neste domingo, segundo Fabiano Lana. "Os candidatos representam grupos que, à despeito do massivo apoio popular em ambos os lados, carregam vícios que, se não forem sanados, atenuados, podem levar o País a algum tipo de perturbação, institucional ou econômica", analisa.

O eleito terá obstáculos a contornar para conseguir governar e levar adiante suas propostas, segundo Eliane Cantanhêde. "Se o presidente Lula vencer, seu grande problema será o Congresso. Se for Flávio Bolsonaro o vitorioso, o mais provável, mas não garantido, seu maior desafio serão as ruas e redes. Em qualquer caso, o futuro presidente terá pela frente as instituições machucadas, uma crise fiscal de bom tamanho, a sombra de Donald Trump e um País rachado ao meio."

Antes mesmo de eleitos, Lula e Flávio esboçam quais nomes podem ocupar a Esplanada no futuro governo. Silvio Cascione destaca que o senador terá por perto três grupos: familiares, técnicos de perfil liberal e membros do Centrão. Já Lula se cerca de conselheiros que indicam outros três movimentos: a indicação de um ministro da Fazenda comprometido com ajustes das contas públicas; abertura de espaço para setores eleitoralmente bem-sucedidos no PT; e agrupar quadros alheios ao petismo para sinalizar uma transição.

O dia seguinte à eleição obrigará o País a retornar suas atenções para aquilo que realmente terá poder de ditar o futuro brasileiro. Fernando Schüler observa que o fim da campanha não representa um ponto final para as "patologias morais e políticas", mas os brasileiros estão obrigados a lidar com uma série de questões institucionais, sociais e econômicas. "Como pouco de realmente importante para o País foi discutido, na campanha, o eleito sairá com uma espécie de cheque em branco 'programático' para governar, e só nos resta esperar que ele seja usado com alguma sabedoria".

Estadão
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