Denúncia da PGR mostra 'aparente articulação para golpe', segundo Barroso
Presidente do STF frisou estar apenas 'relatando fatos' e disse que denúncia 'precisa ser julgada à luz das provas que forem apresentadas'
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas apresenta uma "aparente articulação para um golpe de Estado".
A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 24, no Seminário Internacional Brasil-Alemanha, na Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). Barroso afirmou, no entanto, que o documento "ainda precisa ser julgado à luz das provas que forem apresentadas".
"Estou relatando fatos, não estou emitindo nenhuma opinião", observou o presidente do STF. Os 34 denunciados são acusados dos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Na segunda-feira à tarde, Barroso se encontrou com o advogado Celso Vilardi, que representa Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. Vilardi declarou que vai pedir a anulação da delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid.
Ao deixar a audiência com Barroso, o advogado disse ter feito várias solicitações ao ministro, mas não revelou quais. Ele também afirmou que os novos áudios da Polícia Federal (PF) sobre a investigação, que deram corpo à denúncia, precisam ser analisados dentro de um contexto, e não frases separadas.
A denúncia será julgada pela Primeira Turma do STF, composta pelo relator, Alexandre de Moraes, e pelos os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Se o colegiado aceitar a denúncia da PGR, os acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal. A data do julgamento ainda não foi definida.