Debate em SP: Salles associa Prado ao PT; Tebet e Marina fazem tabelinha por fim da escala 6x1
Candidatos ao Senado por São Paulo participam de debate promovido pela TV Bandeirantes
No debate ao Senado por SP, candidatos adotaram diferentes estratégias visando às duas vagas. À esquerda, Marina Silva e Simone Tebet atuaram unidas em defesa do fim da escala 6x1. Na direita, dividida pelo apoio do governador Tarcísio de Freitas à chapa Derrite e André do Prado, Ricardo Salles atacou Prado, acusando-o de ligação passada com o PT, mas alinhou-se a Derrite na segurança pública. Temas como a fiscalização do STF foram debatidos de forma cautelosa por Prado e Marina.
Candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo à esquerda e à direita adotaram táticas diferentes no início do debate promovido pela TV Bandeirantes na noite desta quarta-feira, 9. Enquanto Ricardo Salles (Novo) criticou a trajetória política do presidente da Alesp, André do Prado (PL), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) fizeram uma "tabelinha".
No confronto direto, elas disseram que, se eleitas, serão favoráveis ao projeto que acaba com a escala de trabalho 6x1. A proposta é uma das prioridades do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta aprovar a proposta antes da eleição no Senado.
"Nós, juntas, vamos votar pelo fim da escala 6x1, sem redução do salário", afirmou Tebet. "O que nós queremos é dignidade para todos os trabalhadores", acrescentou Marina.
Já Salles abriu o primeiro bloco acusando André do Prado de ter apoiado candidatos do PT no passado, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e Alexandre Padilha (PT). "Você sempre esteve com a esquerda", afirmou Salles.
Prado se defendeu e disse que, na verdade, "sempre esteve contra o PT". Ele afirmou que integrou a base de apoio ao então governador Geraldo Alckmin (PSB) na Alesp a partir de 2010, quando assumiu o primeiro mandato como deputado estadual - à época, Alckmin era oposição ao PT.
Prado disse ainda que Salles foi secretário de Alckmin em duas ocasiões e em ambas foi demitido pelo então governador. O candidato do PL também citou processos contra Salles. "Um deles relacionado a contrabando internacional de madeira. A Polícia Federal foi até a sua casa. Eu nunca recebi a visita da polícia", rebateu.
Como há duas vagas, a estratégia dos candidatos é realizar "dobradinhas" e evitar que o segundo voto ajude a eleger um candidato de outro espectro político. À esquerda, a aliança é entre Marina e Tebet. À direita, a dobradinha é entre Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que são apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Salles, contudo, tenta quebrar essa aliança.
Em outro momento, Derrite e Salles também se juntaram, mas para criticar a gestão do PT na segurança pública. Foi o candidato do PP que escolheu Salles para responder à questão - naquele momento, Prado não poderia ser mais selecionado, de acordo com as regras do debate.
"Derrite, é um prazer estar com você. Você sabe que sempre apoiei seu trabalho", acenou Salles ao colega, na contramão do que havia feito minutos antes com o presidente da Alesp.
"Nós temos uma candidata, Marina Silva, que votou contra a redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados. E a candidata Tebet, que também já se posicionou contra", afirmou Derrite.
Tebet, contudo, afirmou que admite a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes graves, como latrocínio, homicídio doloso em reincidência ou estupro.
Prado não se compromete com impeachment de ministros
O tema de eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a principal pauta dos bolsonaristas, só surgiu na metade do segundo bloco. A pauta ganhou força após mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostrarem que ele pediu ajuda ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, para tentar conter o avanço das investigações sobre o Master.
Questionado por uma jornalista se defende uma atuação mais enfática do Senado na fiscalização do Supremo, André do Prado disse que é preciso ter "coragem para discutir" o assunto e criticou a interferência da Corte em outros Poderes.
Ele, contudo, falou de forma genérica, sem dizer se seria favorável ao impeachment de um ministro. "Temos que ter senadores que tenham coragem para chegar no Senado e poder votar inclusive impeachment de ministro, se caso esse ministro cometa crime de responsabilidade", afirmou ele.
Marina Silva (Rede), outra candidata escolhida para responder a questão, adotou postura similiar e disse que os ministro que cometer crime de responsabilidade "pode e deve ser cassado" pelo Senado.
Soninha e Rufino ficam isolados
Os outros dois participantes, os candidatos Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) ficaram isolados e escolheram um ao outro para responder às perguntas nas duas ocasiões em que participaram do debate.
"O que me salvou da rua e da favela foi justamente a minha bandeira: emprego e renda", disse Rufino, perguntando à adversária qual proposta ela teria para resolver esse tema na "cidade" de São Paulo.
"Não tem só uma medida necessária. Tem muitas medidas, que dizem respeito ao mundo do trabalho, à educação, e também à saúde. É preciso tratar da saúde mental", respondeu Soninha, citando que mudanças na legislação trabalhista e a expansão do nível técnico também podem aumentar o interesse dos jovens pelo emprego formal.
Intenções de voto para o Senado em SP
Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, 8, colocou Marina Silva e Guilherme Derrite com 14% das intenções de voto. Ambos estão tecnicamente empatados com Simone Tebet, que tem 12%. Os percentuais são relativos aos votos totais, que somam as respostas do primeiro e do segundo voto.
Em seguida, aparecem André do Prado, com 7%, e Ricardo Salles, com 3%.
Outros cinco candidatos marcaram 1% cada: Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Maíra de Souza (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU) e Guto Schiavetto (Missão). Indecisos são 26% e brancos, nulos e quem não vai votar, 19%.
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