Cúpula do PT quer Lula mais agressivo no tête-à-tête com Flávio no último debate da campanha
Equipe avalia que presidente deve aumentar tom contra senador em temas como corrupção e segurança; atitude de candidato do PL de fazer caras e bocas atrás do presidente foi considerada 'etarista' por eleitores ouvidos em pesquisa qualitativa
A cúpula da campanha de Lula quer que o petista adote um tom mais agressivo contra Flávio Bolsonaro no último debate eleitoral, na TV Globo. A estratégia foca em questionar o preparo do senador e insistir no desafio para que ambos abram seus sigilos bancários e telefônicos. Além disso, o comitê pretende endurecer o confronto em segurança pública, associando Flávio às milícias, e explorar o desgaste causado por sua postura tida como arrogante e etarista durante o confronto anterior.
BRASÍLIA - A cúpula da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva quer que o presidente adote tom mais duro no último debate com o adversário Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira, 23, na TV Globo. A estratégia de Lula na derradeira semana da corrida eleitoral consiste em emparedar Flávio e mostrar que ele não tem "preparo" para governar o País.
O presidente vai insistir todos os dias, em entrevistas e nas redes sociais, para que o senador aceite o seu desafio de abrir o sigilo bancário e telefônico. Foi do próprio Lula a ideia de propor a abertura do sigilo dele e de seus filhos e pedir ao senador que tomasse a mesma atitude. A proposta foi apresentada no debate da Band/Estadão, neste domingo, marcado por troca de acusações e ausência de propostas para o País.
Embora a sugestão seja classificada pela campanha de Flávio apenas como uma jogada de marketing, o fato é que a hashtag #AbreosigiloFlavio viralizou nas redes sociais. Na avaliação da equipe petista, este foi um ponto a favor de Lula.
Em reunião realizada nesta segunda-feira, 19, coordenadores da campanha do presidente admitiram que ele perdeu oportunidades de ser mais incisivo com Flávio em várias situações, como, por exemplo, na questão da segurança pública.
Aliados do presidente afirmam que a oposição tentou minar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança - que foi aprovada pela Câmara em março e só agora está em tramitação no Senado - para não dar discurso ao governo na reta final da campanha.
Na tentativa de se contrapor a essa articulação, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), propôs a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, para crimes hediondos.
Com o movimento, Lula deu uma guinada no discurso sobre esse assunto, uma vez que o PT sempre foi contra a redução da maioridade penal. Diante do impasse, no entanto, a votação foi adiada e a tendência é que só seja retomada após as eleições.
Mesmo assim, a campanha de Lula avalia que ele não pode deixar Flávio tirando dividendos políticos do tema da segurança. A ideia é associar o candidato do PL às milícias no Rio de Janeiro e à defesa do policial denunciado pelo assassinato da menina Ana Clara, de 5 anos, atingida por tiros de fuzil na porta de casa, em Niterói, em 2021.
Pesquisas qualitativas feitas pela campanha de Lula após o debate da Band/Estadão mostraram que eleitores consideraram desrespeitosa a forma como Flávio tratou o presidente.
Durante todo o debate, o senador andou atrás dele, na tentativa de desestabilizá-lo. Os levantamentos que chegaram ao comitê de Lula indicaram que Flávio passou do ponto na agressividade, transmitindo uma imagem de arrogância.
"Se uma pessoa que quer ser candidato a presidente da República trata o presidente assim, como vai tratar o povo?", indagou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), um dos coordenadores da campanha de Lula.
Flávio copiou estratégia adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em debate com Hillary Clinton, em 2016, se posicionou atrás dela, andando de um lado para o outro.
As sondagens feitas pelo PT também mostraram que eleitores classificaram como "etarista" a atitude de Flávio, de 45 anos, de pedir para Lula, de 80, olhar para determinada câmera durante o debate, na tentativa de mostrá-lo perdido.
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