COLUNA | PP corre risco de perder um pedaço e ala dos insatisfeitos pode migrar para o PSD
Há meses, uma ala significativa do partido, encabeçada por Ernani Polo, demonstra desconforto com a aproximação do campo bolsonarista
A decisão do Progressistas (PP) de deixar a base do governo Eduardo Leite e avançar na construção de uma aliança com o PL para 2026 escancarou uma crise interna que já vinha se desenhando nos bastidores. Há meses, uma ala significativa do partido, encabeçada por Ernani Polo, demonstra desconforto com a aproximação do campo bolsonarista e defende que o PP mantenha uma postura mais autônoma ou alinhada a projetos de centro. A votação desta terça-feira (20), no entanto, consolidou um rumo contrário ao que esse grupo pleiteava, aprofundando o racha interno.
A insatisfação ficou evidente com a divulgação de um manifesto assinado por lideranças históricas da sigla, que chegaram a pedir a mudança da pauta da reunião do diretório e até tentaram esvaziar o encontro. O documento defendia que o debate se limitasse à reafirmação de uma candidatura própria ao governo do Estado, sem tratar de alianças ou nomes. Mesmo com o peso político dos signatários, o pedido foi derrotado, e o diretório decidiu majoritariamente pela saída da base governista e pela abertura de diálogo com o PL.
Nesse contexto, cresce a especulação de que parte dos insatisfeitos possa buscar outro abrigo partidário. O PSD surge como destino natural desse grupo, especialmente por concentrar aliados do governador Eduardo Leite. Desde que se filiou à legenda, Leite tem sido apontado como um dos principais responsáveis pelo fortalecimento do PSD no Rio Grande do Sul, ampliando bancadas e atraindo quadros que não se sentem confortáveis com a guinada à direita mais dura.
Caso essa migração se confirme, o PP corre o risco de perder um pedaço relevante de sua base política e histórica no Estado. Mais do que uma simples troca de siglas, o movimento revelaria uma disputa mais profunda sobre identidade, estratégia e posicionamento eleitoral para 2026. Enquanto a direção aposta em uma aliança com o PL e projeta nomes como Covatti Filho para liderar o projeto, a ala dissidente avalia que seguir Eduardo Leite pode representar maior coerência política e melhores perspectivas eleitorais no médio prazo.