Cleitinho, nome de Flávio para MG, cria crise no Republicanos e diz que não confia em Marcos Pereira
Senador, que ainda não definiu se será candidato, chamou o bispo Edir Macedo de 'falso profeta'; ele teve encontro a portas fechadas com o pré-candidato à Presidência em Minas Gerais nesta semana
Líder nas pesquisas e nome preferido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ser o palanque bolsonarista em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo inaugurou uma crise em seu partido, o Republicanos, nesta sexta-feira, 5.
Ele afirmou que não confia na promessa do presidente da sigla, o deputado federal Marcos Pereira (SP), de lhe garantir o partido para se candidatar a governador. O senador também chamou o bispo Edir Macedo de "falso profeta". O religioso é fundador da Igreja Universal, que mantém ligação umbilical com a legenda.
As declarações ocorreram em entrevista ao jornal O Globo e aumentam a indefinição em torno da candidatura do senador. "Ele realmente não me conhece. Eu já disse várias vezes que ele terá legenda, mas me parece que ele não tem segurança do que realmente ele quer. Quem me conhece, o que não é o caso dele, sabe que só tenho uma palavra", rebateu Marcos Pereira em mensagem enviada ao Estadão.
A depender do dia e do momento, Cleitinho dá sinalizações opostas sobre a candidatura, confundindo até mesmo aliados mais próximos que nos bastidores afirmam que não é possível prever os próximos passos do político.
Na entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que é subestimado pela classe política, que diz que ele não teria capacidade para governar Minas Gerais, e que a indefinição é parte de sua estratégia para o eleitorado se manter engajado. Uma decisão, diz Cleitinho, só será tomada após a Copa do Mundo.
"Ele (Marcos Pereira) garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido", disse ao jornal, acrescentando sobre Edir Macedo: "Falso profeta, nem quero me aproximar", declarou.
Flávio cumpriu três dias de agenda em Minas Gerais nesta semana e em entrevistas à imprensa local disse que sua preferência é que Cleitinho seja candidato a governador em uma chapa apoiada pelo PL.
Apesar do gesto, Cleitinho só se encontrou com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na quarta-feira, 3, último dia do pré-candidato a presidente em Minas. Sem aparecerem juntos em compromissos públicos, eles se reuniram a portas fechadas em Pato de Minas (MG), com os deputados federais Nikolas Ferreira (PL) e Domingos Sávio (PL), além do ex-prefeito da cidade, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Anfitrião do encontro, Falcão é cotado para ser vice de Cleitinho.
O Estadão apurou que na reunião Cleitinho indicou que seria candidato, mas pediu um prazo de dez dias para resolver pendências antes de fazer o anúncio.
A sinalização parece não ter sido suficiente para convencer Flávio Bolsonaro. Durante a Marcha para Jesus na quinta-feira, 4, a reportagem o questionou se Cleitinho disputaria a eleição em Minas. Como resposta, o pré-candidato à Presidência ergueu os ombros, sinalizando que não sabia a resposta.
A indefinição é a tônica das articulações eleitorais em Minas Gerais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também ainda não fechou seu palanque no Estado. Ele apostou todas as fichas nos últimos meses no senador Rodrigo Pacheco (PSB), que recusou o convite e optou por encerrar a vida pública ao término do mandato, no final do ano.
O PT agora se divide entre lançar candidatura própria ou apoiar nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB) e o empresário Josué Gomes (PSB).
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.