Cármen Lúcia cancela participação em seminário na USP, em véspera do julgamento tenso sobre Moraes
Ministra justificou que está se preparando para sessão desta terça; Na última sexta-feira, a magistrada já tinha cancelado a participação na Bienal do Livro de SP
A ministra do STF Cármen Lúcia cancelou sua presença em seminário na USP para se preparar para o julgamento que decidirá se Alexandre de Moraes será investigado por suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Master. O cancelamento ocorre após revelações de que Vorcaro pediu intervenções ao ministro para travar investigações e em meio ao aumento da desconfiança popular no tribunal, que chegou a 56% segundo pesquisa recente.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou a participação que faria em no seminário Pensa Brasil 2026, realizado na Universidade de São Paulo (USP), nesta segunda-feira, 14. Em nota, a assessoria do evento informou que ela está "se preparando para a sessão extraordinária que acontecerá amanhã".
A sessão a que se refere vai definir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Master. O Estadão revelou nas últimas semanas uma série de conversas entre os dois em que Vorcaro pediu ao ministro que interviesse junto ao delegado Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de travar as investigações sobre negócios fraudulentos do Master.
A participação de Moraes na edição de um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Moraes e Vorcaro, as conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País antes de sua prisão e a autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro também foram identificadas pelo Estadão.
No seminário, Cármen Lúcia trataria sobre a crise da democracia, ao lado da socióloga e vice-reitora da universidade, Maria Arminda do Nascimento Arruda.
Na última sexta-feira, 11, a magistrada cancelou a ida à Bienal do Livro de São Paulo onde participaria de duas mesas, devido a compromissos que exigiram a permanência de Cármen Lúcia em Brasília.
Mais cedo, o ministro André Mendonça levantou o sigilo da investigação sobre uma rede de pagamentos do Banco Master, depois que o presidente da Corte, Edson Fachin, endossou o pedido já feito por Alexandre de Moraes.
Pesquisa Quaest divulgada na tarde de hoje apontou o crescimento no número de brasileiros que dizem não confiar no STF. A desconfiança chegou a 56%, enquanto os que confiam muito na Corte marcaram 9%. Os que confiam pouco são 30%, de acordo com o levantamento.
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