Candidato ao Senado, Ricardo Salles registra candidatura e declara patrimônio 127% maior que em 2022
Deputado do Novo disputa eleitorado bolsonarista depois de atritos com a família do ex-presidente; ele diz que aumento é fruto de atividade advocatícia e incorporação do resultado de investimento imobiliário no exterior
O deputado federal Ricardo Salles (Novo), 51, registrou sua candidatura ao Senado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL), Salles teve o nome divulgado na plataforma oficial do TSE nesta terça-feira, 28.
Na semana passada, a sigla já havia oficializado a candidatura de Ricardo Salles à Câmara Alta, durante a convenção estadual do Novo em São Paulo (SP).
O patrimônio divulgado pelo candidato neste ano foi de R$ 9 milhões, cerca de 127% mais alto do que em 2022, quando foi eleito para a Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Na ocasião, Salles declarou bens na monta de R$ 3,97 milhões.
Neste ano, foram listados pelo deputado três imóveis que variam entre R$ 2,9 milhões e R$ 3,1 milhões: um localizado no interior de São Paulo; outro em Portugal; além da residência do parlamentar na capital paulista.
Questionado pelo Estadão sobre a declaração ao TSE, Salles atribuiu o crescimento patrimonial a trabalho e investimentos.
"São parcialmente decorrentes da minha atividade advocatícia e parte da incorporação do resultado de investimento imobiliário no exterior."
A remuneração dos parlamentares da Câmara é de R$ 46,3 mil mensais, e os deputados não estão impedidos de exercer outras atividades remuneradas. No caso da advocacia, ficam impedidos de atuar em ações de direito público.
Há quatro anos, o patrimônio declarado por Salles foi quase R$ 5 milhões menor do que em 2018, quando concorreu pela primeira vez ao cargo de deputado federal, já pelo Novo. Naquele ano, a declaração patrimonial do advogado foi de R$ 8,8 milhões.
Disputa pelo eleitorado bolsonarista
Ricardo Salles foi escanteado pela família Bolsonaro e viveu episódios de atrito com os herdeiros políticos do ex-presidente, que está em prisão domiciliar. Os conflitos têm como pano de fundo a disputa pela composição da chapa bolsonarista ao Senado Federal.
Em maio, ele criticou o apoio de Eduardo Bolsonaro a André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, para senador na chapa da direita. Prado tem o apoio de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL.
"Eduardo nunca se deu bem com essa turma corrupta do centrão fisiológico e anti-ideológico, que é justamente a ala valdemarista do PL", publicou Salles no perfil do X.
O terceiro filho de Bolsonaro retrucou a declaração e criticou a "moderação" de Ricardo Salles após a abertura de processo da Suprema Corte contra o ex-ministro. "Botou o rabinho entre as pernas."
Em entrevista ao Estadão em junho, o deputado federal defendeu a escolha de Michelle Bolsonaro para a Presidência da República e avaliou como "frágil" a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto.
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