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Política

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Candidata do PT agredida pela PM é aplaudida em ato de Lula: 'Guerreira da pátria brasileira'

Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, foi derrubada ao chão e atingida por chutes e disparos de bala de borracha; Polícia diz que ela interferiu na ação policial e que uma PM sofreu lesão na mão

19 set 2026 - 21h26
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Resumo
Fernanda Klitzke, candidata a suplente pelo PT ao Senado, foi ovacionada em ato com Lula após ter sido agredida pela PM em Jaraguá do Sul (SC). O caso ocorreu durante uma festa partidária, motivado por queixas de som alto. Vídeos mostram a advogada sendo derrubada, chutada e atingida por balas de borracha ao intervir na prisão de uma mulher. A conduta policial gerou repúdio da oposição e inquérito da Polícia Federal, enquanto governistas locais saíram em defesa da corporação alegando armadilha.

Uma semana após sofrer agressões em uma abordagem da Polícia Militar, Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente de Décio Lima (PT) ao Senado, foi recebida por apoiadores com gritos de "guerreira da pátria brasileira" durante ato do presidente Lula (PT) em Florianópolis.

Gelson Merisio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina, citou o episódio e disse que não foi um fato isolado, relacionando casos de violência a discursos de ódio. "Esta não é a nossa Santa Catarina. Nós não somos um povo violento", disse.

Fernanda Klitzke à esquerda e, à direita, a candidata a vice-governadora de SC Angela Albino
Fernanda Klitzke à esquerda e, à direita, a candidata a vice-governadora de SC Angela Albino
Foto: Reprodução/Youtube @lulaoficial / Estadão

As imagens que viralizaram durante a semana mostram Fernanda sendo derrubada ao chão e atingida por chutes e disparos de bala de borracha. O episódio aconteceu no último sábado, 12, em Jaraguá do Sul, após denúncia de perturbação do sossego durante uma festa de aniversário de membros do Partido dos Trabalhadores.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, se manifestou em defesa da PM. "A esquerda tentou montar uma grande armadilha contra a nossa Polícia Militar". O deputado estadual Sargento Lima (PL), candidato a uma vaga na Câmara, propôs uma moção de aplausos aos policiais envolvidos, Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber, do 14º Batalhão de Polícia Militar de Jaraguá do Sul.

Ao Estadão, Fernanda disse que não houve armação: "Se eu fosse tão boa em fazer uma armação eleitoral dessas, eu estaria lutando para outra coisa, não para apanhar de ninguém".

Em nota, a Polícia Militar diz que, "em razão da complexidade da ocorrência e da necessidade do emprego do uso da força, os fatos serão integralmente apurados pela Corregedoria-Geral, que adotará as providências necessárias à análise das circunstâncias da ocorrência e da atuação policial".

Fernanda diz ter recebido ligações de lideranças de vários partidos, inclusive de Lula. Ela afirma que não foi procurada pela Secretaria da Segurança Pública.

O que aconteceu

Imagens de câmeras residenciais mostram o início da confusão: um casal em um carro estacionado na rua da festa, com música tocando. Uma moradora da casa em frente bate no vidro e pede que eles diminuam o volume do som, porque não conseguia assistir à TV.

O homem desce do carro, os dois discutem e o som é desligado. O casal então entra na festa, e a mulher aparece ao telefone, chamando a polícia. Segundo a PM, a solicitante relatou ter sido ameaçada e disse que o volume havia agitado o filho, que tem transtorno do espectro autista.

Cerca de uma hora depois, a guarnição chega e procura o dono do carro. Em boletim de ocorrência registrado contra os policiais, ele relata que um dos PMs exigiu a chave para revistar o veículo. Ao questionar o motivo, recebeu voz de prisão por desacato e foi levado para a viatura. Ele afirma acreditar que a abordagem teve relação com a música que tocava, uma canção com conteúdo favorável ao presidente Lula.

A professora Vera Lucia Freitas passa a registrar a cena e, segundo o boletim de ocorrência, foi perguntada se queria ir junto à delegacia. Respondeu que sim, achando que iria como testemunha, e recebeu voz de prisão e um mata-leão. Foi então que Fernanda saiu da festa com as mãos para o alto, identificando-se como advogada e pedindo calma.

Fernanda conta que puxou Vera para tirá-la da imobilização e que, a partir daí, a policial passou a agredi-la também, com um mata-leão e uma tentativa de derrubá-la, sem sucesso. Na sequência, outro agente se aproxima, atira em seu pé e a derruba com uma rasteira. Depois de ser imobilizada, chutada e atingida com tiros de bala de borracha, foi algemada e colocada no camburão. Ao ser liberada da delegacia, precisou de atendimento médico.

A PM tem outra versão. "Segundo os policiais, duas mulheres intervieram fisicamente na condução dos envolvidos. Em decorrência da intervenção uma policial militar sofreu lesão na mão e posteriormente recebeu atendimento médico", diz a nota.

Fernanda afirma que o PT tomou medidas nas esferas administrativa, civil e criminal. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a atuação dos policiais militares. A OAB/SC e o TRE-SC também acompanham o caso.

"Eu tenho pensado muito sobre o que há de ser construído a partir disso. Eu queria que houvesse um despertar da nossa sociedade contra a violência contra a mulher", diz Fernanda.

Estadão
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