Caiado chama Lula e Flávio de 'fujões' e diz que possível ausência em debates seria 'covardia moral'
Candidato do PSD diz tentar 'diminuir a burrice' do petista no embate sobre terras raras; também afirma que reduziria os juros pela metade, confirma intenção de convidar Lincoln Gakiya para a Segurança Pública e acena ao eleitorado feminino
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, classificou nesta segunda-feira, 10, como "covardia moral" a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) restringirem sua participação nos debates eleitorais. Em entrevista após o evento Diálogos CEO One, que reuniu empresários em São Paulo, o ex-governador de Goiás chamou os dois rivais de "fujões" e afirmou que pretende comparecer a todos os confrontos da campanha.
Segundo Caiado, a eventual ausência serviria para evitar explicações sobre o que chamou de "denúncias que recaem sobre os dois". "Isso aí é típico de uma covardia moral", afirmou.
O pessedista também associou uma possível disputa entre Lula e Flávio à rejeição dos eleitores aos dois candidatos. "Os dois mais rejeitados no Brasil, um com 50% e o outro com 48%. "A eleição dos rejeitados", disse. Em seguida, chamou os adversários de "fujões" e afirmou que a polarização levaria parte do eleitorado a escolher um candidato apenas para impedir a vitória do outro.
Lula já declarou que avaliará o "nível" de cada confronto antes de confirmar sua presença e disse que não participará de debates se for "para ouvir bobagem". Flávio, por sua vez, sinalizou que só pretende comparecer aos encontros que tiverem a participação do petista. A avaliação de sua campanha é que, sem Lula, o senador concentraria os ataques dos demais adversários.
Em outro momento da entrevista, Caiado elevou o tom contra o presidente ao ser questionado sobre o embate entre os dois envolvendo a exploração de terras raras em Goiás. "Eu estou tentando diminuir a burrice nos pronunciamentos dele. É isso que eu estou tentando", respondeu.
A disputa começou depois que Goiás, ainda sob o comando de Caiado, assinou um memorando de entendimento com o Departamento de Estado dos Estados Unidos para cooperação no setor de minerais críticos. Lula criticou o acordo e afirmou que o então governador não poderia fazer concessões sobre bens que pertencem à União.
Diante dos empresários, Caiado também criticou o patamar dos juros e sustentou que a "credibilidade moral" de um novo governo permitiria reduzi-los pela metade nos primeiros seis meses. Ele prometeu apresentar reformas, cortar gastos e convocar os demais Poderes para discutir o endividamento público, mas não detalhou quais medidas adotaria.
Empresários ouvidos pela reportagem disseram apostar em uma candidatura fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e citaram Caiado e Renan Santos (Missão) como possíveis alternativas. Segundo eles, o senador carrega um "teto de vidro" que limita sua viabilidade eleitoral, enquanto o petista não demonstra compromisso com a responsabilidade fiscal.
Questionado sobre o fato de Lincoln Gakiya não poder assumir um ministério enquanto estiver no exercício do cargo de promotor, Caiado afirmou que ele deverá se aposentar no fim do ano, antes da posse presidencial, em 5 de janeiro. Mais cedo, o candidato havia anunciado a intenção de convidar Gakiya para comandar um Ministério da Segurança Pública.
Caiado fez ainda um aceno ao eleitorado feminino ao destacar que, durante sua gestão em Goiás, mulheres ocuparam postos-chave do governo. O candidato prometeu ainda endurecer a legislação contra crimes cometidos contra mulheres, e ampliar as medidas de proteção às vítimas e de punição aos agressores.
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