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Política

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Haddad apresenta plano de segurança para SP com agência antifacção e IA para melhorar policiamento

Candidato do PT ao governo de São Paulo divulgou nesta segunda-feira as propostas para o setor

10 ago 2026 - 15h11
(atualizado às 18h35)
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O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou nesta segunda-feira, 10, suas propostas para combater a criminalidade no Estado. Entre as principais iniciativas está a criação de uma Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação que reuniria órgãos estaduais e federais para combater organizações criminosas.

Chamado de SP Protege, o programa organiza as propostas para a área da Segurança Pública em três frentes: "nas ruas", "nas casas" e "no andar de cima". A primeira busca tornar o policiamento mais eficiente por meio do uso de Inteligência Artificial (IA) e da integração entre as forças de segurança; a segunda frente é voltada à proteção de mulheres, crianças e idosos; e a terceira prevê medidas de combate ao crime organizado inspiradas na Operação Carbono Oculto, maior operação já realizada no País contra a infiltração do crime organizado na economia formal.

Para combater o crime organizado, Haddad propõe a criação da Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação que será presidida pelo próprio governador e reunirá Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle. O objetivo, segundo o ex-ministro da Fazenda do governo Lula, seria desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados . A proposta toma como referência a Operação Carbono Oculto, que teve participação da Receita Federal.

"O que a Carbono Oculto demonstrou é que essa integração [das corporações] acontece episodicamente. E, quando acontece, é muito eficaz", disse Haddad, no evento. "Você montar esse gabinete e, a partir daí, fazer um plano de trabalho, eu acredito que vai ser muito bem visto por todo mundo, desde que presidido pelo governador. Sinceramente, na minha experiência de 26 anos de vida pública, eu acho que nenhum secretário de segurança consegue, pelo menos de início, organizar esse gabinete institucional. As pessoas precisam sentir o peso da autoridade de alguém eleito com mandato para resolver o problema [da segurança pública]", completou o ex-ministro, dizendo que é preciso haver uma rotina de prestação de contas e de transparência de dados.

Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Nas ruas, Haddad quer usar a tecnologia para tornar o policiamento mais eficiente. O plano propõe que uma IA cruze imagens das câmeras de monitoramento, dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostrem onde e quando o crime acontece.

"O 190 terá resposta rápida: a chamada é cruzada em tempo real com o sistema de inteligência e câmeras, que localiza a ocorrência e viabiliza o acionamento imediato da viatura mais próxima. E o policial terá o poder de investigar e desvendar o crime, com sistema que cruza imagens, boletins e chamadas para transformar dezenas de roubos soltos numa única investigação, com suspeito e prova robusta", diz o plano.

Outra proposta de Haddad será o registro de boletim de ocorrência pelo WhatsApp, chamado de "B.O. no Zap".

O candidato também propõe a criação do Placar da Segurança, que publicaria a cada trimestre os indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas. Um dos objetivos do ex-ministro é diminuir o número de roubos de celular na cidade de São Paulo. Segundo os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a capital paulista concentra um quinto das ocorrências de furtos e roubos em âmbito nacional, apesar de ter apenas 5,6% da população brasileira.

Nas casas, o foco do programa de governo está nas mulheres, crianças e idosos. A proposta do petista fala em fortalecer a ação da Delegacia da Mulher, a fim de melhorar a categorização de casos e facilitar o acionamento da polícia. Segundo o plano, uma plataforma com IA vai cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes, permitindo que as policiais das DDMs ajam antes da tragédia.

Para crianças e adolescentes vítimas de violência, Haddad promete atendimento especializado e prova pericial em até 48 horas. Já para idosos, a proposta é criar um canal de denúncia com resposta e acompanhamento de cada caso.

No caso do interior, onde Haddad tem dado foco especial nesta campanha, a proposta é estabelecer o patrulhamento de corredores logísticos como uma estrutura permanente de combate ao roubo de cargas. "A prioridade é combater o furto de gado, maquinário, defensivos e insumos, além da receptação que financia esses crimes, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com os estados vizinhos nas divisas."

O candidato do PT ainda afirma que, se eleito, criará uma força-tarefa permanente do Porto de Santos, com mandato e orçamento próprios, reunindo o Estado, a Agência Estadual Antifacção, a Receita Federal, a Polícia Federal, a autoridade portuária e a Marinha. "O objetivo é combater o tráfico transnacional e demais crimes que usem o porto como porta de saída", diz o plano.

Haddad também fala em estabelecer um plano de carreira estruturado para a polícia, com valorização salarial e promoções por critérios profissionais, e promete câmeras corporais com gravação contínua durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente.

Como mostrou o Estadão, Haddad decidiu colocar a segurança pública no centro de sua campanha ao governo de São Paulo, apesar da dificuldade histórica da esquerda em tratar do tema. Para elaborar o plano, o petista conversou com especialistas historicamente ligados ao PSDB, rival do PT que comandou o Palácio dos Bandeirantes por quase 30 anos, além de partidos aliados e coronéis e delegados críticos à gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A campanha de Haddad entende que, apesar de a pauta da segurança estar mais associada à direita e ao bolsonarismo, há uma forte sensação de insegurança no Estado de São Paulo, o que abriria espaço para Haddad se colocar como melhor opção para enfrentar o problema. O tema foi central no primeiro debate entre os dois candidatos, no último domingo, 9.

O deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do plano de governo de Haddad, disse que São Paulo vive, há anos, um "falso dilema" sobre se a polícia deve matar mais ou menos, quando na verdade deveria estar discutindo a eficiência do trabalho policial. "A raiz do problema de São Paulo chama-se impunidade", disse o parlamentar, acrescentando que o governo estadual não divulga dados sobre o porcentual de crimes elucidados.

Evento contou com França, Simone, Marina e Datena

A apresentação do plano de segurança ocorreu em um estúdio na capital paulista e contou com a presença de uma plateia e de todos os integrantes da chapa de Haddad: seu candidato a vice-governador, Márcio França (PSB), e as duas candidatas ao Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Ao longo do evento, foram exibidos vídeos de campanha com moradores da capital e do interior relatando o aumento da criminalidade em suas cidades.

Em uma dessas peças, um entrevistado diz que São Paulo está "igual" ao Rio de Janeiro. Essa é uma comparação que a campanha deseja explorar, ainda que com cautela, tendo em vista que Tarcísio é nascido no Estado do Rio. Tebet, que tem como missão reforçar a campanha de Haddad no interior, disse que o crime organizado está vindo de Estados como o Rio de Janeiro para cidades do interior paulista. Haddad e Datena fizeram falas no mesmo sentido.

Datena, que será candidato a deputado federal pelo PSB e ficou famoso cobrindo casos de polícia em São Paulo, fez uma fala dura contra Tarcísio, dizendo que o governador não entende nada de segurança pública e que o Estado de São Paulo está entregue às mãos do crime organizado. "A pergunta que se faz em São Paulo não é onde o PCC está; é onde o PCC não está", discursou Datena, acrescentando que o atual governador prestou um "grande desserviço" à segurança do Estado.

Veja quem participou da construção do programa de Haddad paraa segurança pública:

  • Benedito Mariano - Sociólogo e Mestre em ciências sociais. Coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do IREE. Foi Ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo.
  • Claudinho Silva - Professor, militante do movimento negro e referência em segurança pública e direitos humanos. Ex-Ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, atua na interseção entre controle externo da polícia, políticas de juventude e periferia.
  • Emídio de Souza - Deputado estadual e coordenador do programa de governo de Fernando Haddad. Foi prefeito de Osasco.
  • Igor Marchesini - Engenheiro, empreendedor e conselheiro em tecnologia. Atualmente foca na interseção entre Inteligência Artificial, Política Pública e Desenvolvimento Econômico.
  • Leandro Piquet Carneiro - Economista com mestrado e doutorado em ciência política. É professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da mesma faculdade.
Estadão
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