Bolsonaro presta depoimento sobre arma apreendida e Moraes vai decidir se mantém prisão domiciliar
Ex-presidente justificou a Alexandre de Moraes que deu arma para o seu segurança consertar dispositivo danificado
BRASÍLIA - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou nesta terça-feira, 23, depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para explicar a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante blitz em Brasília. Os agentes policiais chegaram à casa do político às 14h35. A polícia passou 40 minutos no condomínio onde o ex-presidente reside e cumpre prisão domiciliar.
No depoimento, segundo Paulo Cunha Bueno, o advogado de Bolsonaro, o ex-presidente reiterou o que já informara ao Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente admitiu que tem uma arma e que pediu a um militar do Exército que faz sua segurança que providenciasse o reparo na arma.
No último domingo, 16, o militar Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança de Bolsonaro, foi parado em um blitz a 33 quilômetros da residência do ex-presidente. Ele portava uma Glock de calibre nove milímetros.
A PCDF abriu um inquérito para apurar a posse da arma de Bolsonaro pelo segurança e requereu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente, a oitiva dele nesta semana por videoconferência.
Moraes autorizou os policiais a colherem o depoimento de Bolsonaro, mas cobrou que a oitiva seja realizada presencialmente para cumprir a decisão judicial que o proíbe de utilizar dispositivos eletrônicos.
Em ofício enviado ao gabinete de Moraes, os advogados de Bolsonaro argumentaram que ele entregou a arma a Estácio Filho após constatar que o percursor estava inoperante. O ex-presidente teria pedido ao segurança que consertasse o dispositivo.
"Acompanhei, na tarde de hoje (23), o presidente Bolsonaro em seu depoimento sobre o episódio que envolveu o encontro de uma arma de fogo, registrada em seu nome, em posse de um de seus seguranças, durante blitz policial. O presidente esclareceu todas as questões à guisa da resposta apresentada por escrito ao Ministro Alexandre de Moraes, dias atrás. A arma era de sua propriedade, estava devidamente registrada e, tendo em vista que não houve determinação de cancelamento de seu registro e entrega da arma, a mesma deveria, de fato, estar em seu endereço residencial", escreveu o advogado em sua rede social.
Acompanhei, na tarde de hoje, o Presidente Bolsonaro em seu depoimento sobre o episódio que envolveu o encontro de uma arma de fogo, registrada em seu nome, em posse de um de seus seguranças, durante blitz policial.
O Presidente esclareceu todas as questões à guisa da resposta…
— Paulo Cunha Bueno (@paulocunhabueno) June 23, 2026
Ele ainda afirmou que ao manusear a arma, Bolsonaro constatou a existência de defeito e por isso recorreu um dos seus seguranças para pedir o reparo. "Em momento algum houve intuito de descumprir qualquer determinação legal, sendo certo que se trata de episódio criminalmente acromático. Aguardamos que o inquérito, em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal, seja, em breve, arquivado", disse Bueno.
O caso da arma apreendida será decisivo na avaliação de Moraes sobre manter ou não Bolsonaro em prisão domiciliar. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao ministro que Bolsonaro seja mandado de volta a um estabelecimento prisional. O ministro deve responder à demanda após a oitiva do ex-presidente.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde março deste ano, quando enfrentou um quadro de pneumonia e precisou ser internado. Após a internação, Moraes o transferiu do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, acatando a pedidos de prisão humanitária.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 4 meses de prisão por liderar organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.
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