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Política

Bolsonaro deve ser indiciado em CPMI do 8/1, diz relatora

Em entrevista exclusiva ao Estadão, senadora Eliziane Game apontou Bolsonaro como "comandante máximo" da elaboração do golpe

16 ago 2023 - 18h55
(atualizado às 19h06)
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A senadora Eliziane Gama é relatora da CPMI do 8 de janeiro
A senadora Eliziane Gama é relatora da CPMI do 8 de janeiro
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) considera que o ex-presidente deverá ser alvo de um pedido de indiciamento no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília. A relatora da CPMI considerou, em entrevista exclusiva ao Estadão, que Bolsonaro era "o comandante máximo de todo esse processo".

"No caso de Bolsonaro, para além da questão do financiamento, a gente precisa também entender a autoria intelectual. Ele era o maior formador de opinião do Brasil. E a gente precisa também responder à pergunta: Quem planejou? Quem instigou o 8 de janeiro? O indiciamento é muito possível exatamente por isso", acrescentou a senadora.

Eliziane afirmou ainda que a divulgação dos relatórios financeiros do tenente-coronel Mauro Cid exigiu que a CPMI ampliasse a investigação para que se tenha a quebra do sigilo bancário de Bolsonaro.

"Para a gente entender quem financiou o golpe, a gente precisa saber para onde é que esse dinheiro está sendo movimentado. Não é, por exemplo, a investigação em si do crime de negociação de produtos, de joias que deveriam estar no patrimônio público e não estavam. Então, não é especificamente esse crime", explicou.

Apesar da convicção de que o ex-presidente deverá ser investigado e indiciado, a senadora não deu como certo de que ele será incluído na CPMI nas próximas semanas. Ela acredita que, a partir do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que está sendo produzido sobre Bolsonaro, será possível cravar a convocação.

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O Exército, a Marinha e a Aeronáutica também devem aparecer no relatório, mas com enfoque oposto. Eliziane considerou que "a instituição Forças Armadas impediu um golpe no país".

Apesar disso, a senadora reforça que não pode considerar que Bolsonaro tenha tido "responsabilidade individual" no planejamento de golpe. Ela reforçou ainda nomes das Forças Armadas que deverão ser ouvidos, como os generais Gonçalves Dias, Dutra e Augusto Heleno.

Eliziane também afirmou que, para a efetividade da CPMI, é preciso quebrar os sigilos do general Mauro Lourena Cid, pai de Mauro Cid - ele foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na última sexta-feira, 11.

A senadora falou ainda sobre a CPI da Covid, que não avançou na Justiça, "por causa do próprio PGR (Procurador-Geral da República)". "O Ministério Público acabou, na verdade, não dando a atenção necessária para o relatório da CPI da Pandemia, isso é um fato", acrescentou.

Eliziane espera que o mesmo não aconteça com a CPMI do 8 de janeiro, mas que não tem gerência sobre os passos tomados depois. "O papel da CPMI é fazer o relatório e encaminhar. E esse é o relatório que nós vamos construir. Aliás, nós já estamos, na verdade, construindo e construindo com a devida responsabilidade."

Fonte: Redação Terra
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