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Bolsonaro cobra Butantan por preço sobre CoronaVac

Presidente afirmou que mandou investigar um suposto contratado da matriz da vacina, que estaria oferecendo imunizantes pela metade do preço

22 jul 2021 11h52
| atualizado às 11h59
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O presidente Jair Bolsonaro declarou, nesta quinta-feira, 23, que mandou investigar um suposto contratado da matriz da Coronavac, que estaria oferecendo vacinas pela metade do preço cobrado pelo Instituto Butantan. De acordo com o presidente, ele já encaminhou o caso para a Controladoria Geral da União (CGU), ao Tribunal de Justiça e hoje encaminhará também ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Jair Bolsonaro tira a máscara para falar com os jornalistas
Jair Bolsonaro tira a máscara para falar com os jornalistas
Foto: Amanda Perobelli / Reuters

Em entrevista à Rádio Banda B, Bolsonaro afirmou que matriz chinesa da empresa ofereceu a vacina US$ 5, metade do preço em que cada dose da vacina é vendida ao governo pelo Instituto Butantan. De acordo com Bolsonaro, o instituto também foi oficiado para se explicar com relação a diferença de preço

"Por que metade do preço agora? O que aconteceu com o Butantan? E outra, o Butantan também foi oficiado por nós para que se expliquem porque a matriz nos oferece a vacina pronta a US$ 5, e eles, Butantan, ao receber o IFA da vacina, nos revendem a US$ 10 a vacina. Pode ser que não haja nada de errado nisso tudo, mas o Butantan nunca nos apresentou uma planilha de preços", disse Bolsonaro, que reclamou que toda a cadeia de custo do imunizante foi apresentada ao governo.

"Temos, agora sim, uma questão a ser investigada. Pode não ser nada, pode, mas pelo que tudo indica no momento, é algo assustador que vem acontecendo lá no Butantan", disse.

Mas mesmo com a oferta de venda da vacina a metade do preço, Bolsonaro afirmou que a resposta não será feita de imediato. De acordo com o presidente, ele ainda precisa conversar com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e esperar uma resposta da Justiça sobre o contrato, que afirmou que deve acontecer daqui a alguns dias, ressaltando que não estava acusando o Instituto de corrupção. "Obviamente interessa pra nós comprar diretamente da China a metade do preço", disse. "Apenas uma documentação que nos traz uma enorme preocupação do que acontece no Butantan".

Contudo, Bolsonaro passou alguns minutos da entrevista desqualificando o imunizante, e colocando em prova sua eficácia no combate ao coronavírus. Bolsonaro voltou a mentir sobre o imunizante não ter comprovação científica, e afirmou que a eficácia da Coronavac "está lá embaixo" e que ela tem dado problemas "em muitos países", devido aos casos de reinfecção. Contudo, a vacina não impede a infecção pela doença, e sim, evita que a covid-19 evolua para um caso grave.

O presidente usou os casos para justificar a resposta não imediata à suposta oferta da matriz da vacina. "Não adianta a gente comprar mais X milhões de Coronavac se a população não quiser tomar", concluiu.

Estadão
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