Ausente de debate, Lula diz que Lulinha 'tem de provar inocência' e detalha telefonema a Trump
Candidato à reeleição, presidente teve entrevista exibida no horário do debate da Band e do 'Estadão' com candidatos
Ausente do debate presidencial, Lula concedeu entrevista à Record TV, onde negou interferências na PF e afirmou que seu filho, Lulinha, investigado por tráfico de influência, deve provar sua inocência. O presidente classificou como positiva uma conversa com Donald Trump sobre tarifas, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública e prometeu o fim da taxa sobre importações de até US$ 50 e da escala 6x1. Lula também defendeu os resultados da inflação e lamentou o nível atual da política.
Ausente do debate da Band do 'Estadão' entre candidatos ao Palácio do Planalto, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma entrevista veiculada no mesmo horário neste domingo, 23, na Record TV.
Na conversa, gravada horas antes em Brasília, o petista citou conversas que teve com o presidente americano, Donald Trump, sobre o tarifaço e negou que haja pressão contra a Polícia Federal a favor de seu filho primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeitas de tráfico de influência.
"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. [...] Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele", disse.
A decisão de faltar ao debate foi criticada pelos adversários e analistas diante da perda da oportunidade de participar do primeiro confronto de ideias entre os presidenciáveis. Outros dois candidatos - o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) - também não compareceram.
Veja alguns dos temas abordados por Lula na entrevista:
Denúncias contra Lulinha
Lula disse tratar "com muita seriedade" as investigações contra o filho. "Todos nós somos obrigados a agir corretamente. Se alguém agir de forma equivocada, vai ter de ser investigado", afirmou.
O presidente ainda falou em "ilações" e disse que o primogênito "tem de provar a inocência dele". Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações conduzidas pela Polícia Federal investigam suspeitas de tráfico de influência em negócios de aliados no governo federal.
Trump
Lula detalhou a relação com Trump e descreveu a conversa sobre o tarifaço como "boa". Ele disse ter enviado um documento aos Estados Unidos sobre exploração de terras raras no Brasil. "Eu às vezes tenho a impressão de que o Trump é bem melhor em relação à assessoria [do presidente norte-americano]", comentou.
O presidente ainda afirmou que o Brasil está disposto a contribuir no combate do crime organizado com os Estados Unidos, mas ressaltou que "nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil".
Segurança pública
O presidente comentou que o tema "sempre foi essencial para o País" e disse que a União transferiu a responsabilidade aos Estados. Ele voltou a falar sobre sua proposta de criar o Ministério da Segurança Pública - promessa que havia sido feita na campanha de 2022, mas não foi cumprida.
"Temos de resolver esse problema da segurança pública prendendo quem estiver de prender, mas não matando. [...] A gente quer devolver o território da periferia e da cidade para o povo e o bandido vai ocupar o lugar dele na cadeia."
Feminicídio
Lula citou leis, decretos e portarias criados nos últimos anos para fortalecer o combate à violência contra a mulher. Apesar disso, o número de feminicídios têm registrado recordes no País.
"Nós, homens, achamos que nascemos mais poderosos que a mulher. [...] A mulher quer ser livre e fazer o que ela quiser. Nós precisamos fazer com que os homens de bem tratem as mulheres com respeito", disse.
Economia
O presidente afirmou que "o mundo do consumo mudou" e que "o povo tem de consumir olhando o tanto que ele ganha", defendendo educação financeira. Ele citou que a inflação em seu governo foi menor em comparação à taxa registrada no governo Jair Bolsonaro. "Os adversários deveriam acompanhar os dados do IPCA para saber que as coisas melhoraram muito", disse.
Especialistas têm alertado que a alta de gastos do governo federal aumentará a necessidade de aperto fiscal a partir de 2027, o que traz risco de desaceleração do crescimento econômico e até de recessão.
Escala 6x1 e taxa das blusinhas
Questionado sobre o tema, Lula anunciou o fim da "taxa das blusinhas", que aplicava impostos mesmo em importações até US$ 50, e afirmou que o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública "devem acontecer logo".
"Eu estive com o meu amigo [Davi] Alcolumbre e nós vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para o bem das pessoas que gostam de comprar coisinha pouca por 50 dólares", disse. A Medida Provisória (MP) que põe fim à taxa foi anunciada pelo presidente em maio, mas corre o risco de caducar se não for aprovada na Câmara e no Senado em 120 dias após a criação.
Adversários
O presidente disse que "tem saudades do tempo em que disputava eleições com o PSDB". "Parece que o nível da política diminuiu. Tem gente que acha que pode ser candidato por causa da internet."
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