Após meses de impasse na base de Lula, Marina Silva chama acordo sobre Senado de 'consenso progressivo'
Depois da definição da chapa governista em São Paulo, pré-candidata ao Senado afirma que o grupo priorizou projetos para o estado e ao País
Após meses de indefinição sobre a disputa por uma das vagas ao Senado por São Paulo, a ex-ministra e pré-candidata Marina Silva (PSOL-Rede) afirmou que a escolha dos nomes da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorreu de "forma tranquila". Em entrevista ao Terra nesta quinta-feira, 23, durante agenda no Sindicato dos Trabalhadores em Coleta de Lixo, Varrição e Áreas Verdes da Cidade de São Paulo (SIEMACO-SP), ela classificou a decisão como resultado de um "consenso progressivo".
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O impasse envolvia a definição para a disputa da segunda vaga ao Senado entre Marina e o ex-ministro Márcio França (PSB), já que a primeira já estava destinada à ex-ministra Simone Tebet (MDB). Após meses de negociações, a base aliada confirmou Marina e Tebet como pré-candidatas ao Senado, enquanto França foi escolhido para compor a chapa de Fernando Haddad (PT) como pré-candidato a vice-governador.
Durante o período de indefinição, França reiterou em diversas entrevistas que manteria sua pré-candidatura ao Senado, mesmo diante da pressão para assumir a vaga de vice. O ex-ministro também foi alvo de articulações do próprio Lula para aceitar a composição, mas resistiu por meses, assim como o PSB, que defendia que o partido poderia disputar por duas vagas ao Senado. Em uma das ocasiões, França chegou a publicar em suas redes sociais uma pesquisa eleitoral que o apontava na liderança da corrida ao Senado em São Paulo. Após meses de negociações, ele foi confirmado, no fim de junho, como pré-candidato a vice-governador.
"A definição foi tranquila. É o que nós chamamos de consenso progressivo. Fizemos uma discussão, são quatro ex-ministros do presidente Lula, três ex-candidatos à Presidência da República. Eu sempre soube que teríamos maturidade e compromisso com o estado de São Paulo e com o Brasil para chegarmos no lugar onde chegamos", disse Marina ao Terra.
"Essa é a nossa diferença: nós discutimos propostas, projetos de país e de estado, e trabalhamos em benefício de forma unida", acrescentou.
Críticas de adversários
A deputada federal e ex-ministra também respondeu às críticas feitas por adversários políticos, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado federal Ricardo Salles (Novo), sobre o fato de ela não ter nascido em São Paulo.
Marina destacou o acolhimento que diz receber da população paulista desde que chegou ao Estado e apontou uma contradição nas declarações do governador.
"Eles estão na contramão do sentimento do povo do estado de São Paulo. Eu sou recebida com respeito e carinho aqui desde 1979 e recebi o título de Cidadã Paulistana em 1995. O próprio governador veio do Rio de Janeiro e foi eleito por São Paulo. Este é um estado formado por pessoas de diversas origens, marcado pela solidariedade e pelo respeito", afirmou.
Questionada sobre a estratégia para enfrentar uma disputa marcada pelo peso das redes sociais e das novas tecnologias na comunicação política, Marina afirmou que pretende manter uma campanha baseada na transparência e no diálogo com os eleitores da capital e do interior.
"A estratégia é falar a verdade. Oferecer a outra face: pra face da mentira, a verdade; pra face do ódio, o amor; pra face da preguiça, o trabalho. É assim que sempre foram as minhas campanhas e pré-campanhas, e poder dialogar com as pessoas. Eu tenho encontrado pessoas solidárias em todos os municípios, da metrópole ao interior, do interior à metrópole. Mesmo às vezes pessoas que discordam, mas sempre tratam com muito respeito. É uma acolhida muito grande. E é assim que nós vamos fazer a nossa pré-campanha e a campanha: discutindo propostas, projetos."
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