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Política

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Alcolumbre quer esforço concentrado para aprovar Benedito Rodrigues para CNJ

Presidente do Senado já cancelou votação que não aprovaria o nome do indicado

3 jun 2026 - 21h52
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Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado, quer "esforço concentrado" dos parlamentares para votar a indicação de Benedito Gonçalves ao cargo de corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) até 2028.

Gonçalves é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e teve seu nome vinculado a um evento regado a uísque bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Uma votação anterior foi cancelada porque Benedito poderia não ser aprovado. No dia 20 de maio, Alcolumbre interrompeu a sessão após constatar que apenas 59 dos 67 senadores presentes registraram voto — número insuficiente para garantir o quórum necessário, que requer a maioria absoluta de votos (41).

O ministro Benedito Gonçalves
O ministro Benedito Gonçalves
Foto: Wilton Júnior/Estadão / Estadão

Senadores da oposição pediram que a votação fosse concluída com os votos já computados, mas o presidente do Senado optou pelo adiamento.

"A posse do novo corregedor ocorrerá em 3 de setembro. Portanto, como temos muito prazo, determino o cancelamento da votação", disse Alcolumbre.

Para a próxima semana, Davi pediu a compreensão dos parlamentares para que compareçam ao Senado.

A última votação relacionada a indicações foi o caso de Jorge Messias, o advogado-geral da União, que pleiteava uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Dessa vez, porém, Alcolumbre concentrou esforços em barrar o nome apontado pelo Palácio do Planalto.

Messias ficou cinco meses aguardando que o presidente do Senado levasse seu nome ao plenário e foi rejeitado por 42 votos. Duas semanas antes da votação, segundo informações do jornal "O Globo", Alcolumbre procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pediu blindagem nas investigações sobre o caso Master. A rejeição, portanto, teria sido uma retaliação ao governo.

Benedito Gonçalves participou de evento jurídico patrocinado pelo banco liquidado em Londres, em abril de 2024.

Ministro do STJ Benedito Gonçalves (à esquerda) participa de evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master
Ministro do STJ Benedito Gonçalves (à esquerda) participa de evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master
Foto: Reprodução / Estadão

Segundo reportagem do site "Poder 360", o ministro integrou na ocasião um evento paralelo: a degustação de uísque Macallan (uma das marcas mais caras e prestigiadas do mundo) promovida por Vorcaro para autoridades. O custo estimado da festa é de R$ 3,3 milhões.

O nome de Benedito, porém, enfrenta pouca resistência. Na sabatina do ministro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foram 21 votos favoráveis e cinco contrários. No dia, de acordo com a Agência Senado, Magno Malta (PL) e Eduardo Girão (Novo) adotaram postura crítica ao ministro. Marcos do Val (Avante), por sua vez, já falou que votará contra a indicação.

Benedito Gonçalves tem mais de 50 anos de carreira no serviço público, sendo 38 deles na magistratura. De origem humilde, estudou em escolas públicas e conquistou seus postos por concurso. Começou como inspetor de alunos no Rio de Janeiro nos anos 1970, passou por papiloscopista na Polícia Federal e delegado de polícia no Distrito Federal antes de ingressar na carreira de juiz federal, em 1988. Dez anos depois, foi promovido a desembargador do TRF-2 e, em 2008, chegou ao STJ, onde atua até hoje.

O CNJ, órgão que Benedito pode assumir, é responsável por fiscalizar a atuação administrativa, financeira e disciplinar do Judiciário brasileiro, com poder para investigar e punir magistrados e servidores. Também cabe ao conselho padronizar procedimentos e zelar pela transparência e eficiência dos tribunais em todo o País.

Estadão
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