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Polícia

Polícia conclui que menino Benício teve overdose de adrenalina e morreu por 'erro médico grosseiro'

Polícia Civil do Amazonas finalizou o inquérito do caso e indiciou a médica, técnica de enfermagem e diretores do hospital

4 mai 2026 - 10h03
(atualizado às 13h37)
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O menino Benício chegou andando ao hospital acompanhado dos pais
O menino Benício chegou andando ao hospital acompanhado dos pais
Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil do Estado do Amazonas concluiu nesta semana as investigações sobre a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em novembro do ano passado. O inquérito chegou à conclusão de que a criança morreu por overdose de adrenalina, que foi resultado de um "erro médico grosseiro".

Em nota, a polícia confirmou que decidiu indiciar a médica Juliana Brasil, a técnica de enfermagem Raiza Bentes e os diretores Antônio Guilherme Macedo e Édson Sarkis Gonçalves, do Hospital Santa Júlia, em Manaus. 

Benício avisou que ‘coração estava queimando’ após receber adrenalina na veia, diz pai da criança:

Durante a investigação, foram ouvidas 39 pessoas, além da análise de provas, incluindo mensagens trocadas pela médica após o agravamento do estado da vítima e registros de condutas adotadas no atendimento.

Outros detalhes do inquérito foram divulgados no domingo, 3, no programa Fantástico, da TV Globo. Segundo a investigação, Benício morreu após ter recebido adrenalina na veia, quando o protocolo correto era de adrenalina por inalação. Peritos atestaram que o “quadro era irreversível” e que “não houve erros de intubação ou de qualquer conduta da equipe de UTI”.

A médica Juliana Brasil foi quem prescreveu a adrenalina na veia ao menino, que deu entrada no hospital apenas com um quadro de tosse seca. O medicamento foi aplicado pela técnica Raiza, mesmo após a mãe do menino questionar o uso na veia, dizendo que o filho nunca tinha passado pelo procedimento.

Minutos depois da administração, Benício começou a passar mal. Imagens das câmeras de segurança mostram que a médica mexe no celular enquanto acompanhava seu atendimento. A perícia do celular recuperou as mensagens trocadas por Juliana naquele momento, que estava vendendo produtos cosméticos a uma amiga.

“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, disse Joyce Xavier, mãe de Benício, à emissora. 

A defesa de Juliana afirmou, ao Fantástico, que o erro na prescrição do medicamento aconteceu por causa de uma falha no sistema do hospital, que teria trocado a via inalatória pela intravenosa. A polícia, no entanto, informou que a perícia descartou tal erro.

Sobre a venda de maquiagem, o advogado disse que, naquele momento, Benício não era mais responsabilidade da médica, já que ele estava sendo atendido na "sala vermelha", onde recebia cuidados intensivos.

‘A gente percebeu muito despreparo’, diz pai sobre médica responsável por atendimento a Benício:

A polícia indicou Juliana por homicídio doloso com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), fraude processual e falsidade ideológica. Isso porque a polícia suspeita que ela tenha produzido um vídeo falso tentando mostrar o suposto erro no sistema que a levou a prescrever o medicamento errado.

A técnica de enfermagem Raíza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Sua defesa disse que ela não está mais exercendo a profissão e que não pretende voltar a atuar na área.

Com relação aos diretores indiciados, a polícia concluiu que houve negligência, já que o hospital não possuia o número suficiente de enfermeiros e não havia farmacêutico disponível para checar a prescrição médica. Os diretores devem responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Em nota, o hospital informou que ainda não foi oficialmente comunicado sobre o indiciamento dos diretores, disse que está à disposição das autoridades e reafirmou compromisso com a segurança dos pacientes.

Fonte: Portal Terra
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