PF faz operação para desocupar residencial com 300 casas em Petrolina após pedido da Caixa
Ação cumpre ordem judicial solicitada pelo banco; famílias ocupam imóveis do Minha Casa, Minha Vida desde julho e reivindicam acesso à moradia.
A Polícia Federal iniciou a desocupação do Residencial Nova Vida III, em Petrolina (PE), atendendo a uma ordem judicial pedida pela Caixa Econômica Federal. Com 80% das obras do Minha Casa, Minha Vida concluídas, as 300 casas estavam ocupadas desde julho por famílias que protestavam contra a demora e os critérios de seleção, que teve mais de 49 mil inscritos. A ação ocorreu após o descumprimento do prazo para saída voluntária, sem previsão inicial sobre o destino dos manifestantes retirados.
A Polícia Federal iniciou, na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro, uma operação para desocupar o Residencial Nova Vida III, no bairro João de Deus, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. O empreendimento tem 300 casas e integra o programa Minha Casa, Minha Vida.
A ação atende a uma ordem judicial de reintegração de posse solicitada pela Caixa Econômica Federal. A área pertence ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), vinculado ao governo federal, e estava ocupada por dezenas de famílias desde julho.
Os imóveis ainda não haviam sido entregues aos beneficiários. Com aproximadamente 80% das obras concluídas, o conjunto habitacional se tornou alvo de uma mobilização de pessoas que cobram acesso à moradia e questionam o processo de seleção das famílias.
Saída voluntária havia sido determinada
A Justiça determinou a reintegração de posse em 4 de setembro e estabeleceu que os ocupantes deixassem o residencial voluntariamente. Entretanto, parte do grupo permaneceu nas casas, o que levou ao acionamento da Polícia Federal para cumprir a decisão.
A medida judicial trata da retomada da área onde o empreendimento está sendo construído. A Caixa recorreu à Justiça em defesa do terreno pertencente ao FAR, responsável pelos imóveis vinculados ao projeto habitacional.
Famílias relatam espera por moradia
A ocupação começou em 24 de julho. Segundo os participantes, a entrada nas unidades foi uma forma de chamar a atenção do poder público para as dificuldades enfrentadas por quem busca uma casa pelos programas habitacionais.
Os manifestantes afirmam que participam de processos seletivos há anos, mas não conseguem ser contemplados. Eles também contestam o formato de seleção realizado pela prefeitura, apontando a longa espera como uma das razões para o protesto.
Residencial recebeu mais de 49 mil inscrições
O processo de seleção para as 300 moradias do Nova Vida III reuniu 49.124 candidatos. O número equivale a aproximadamente 164 inscritos por unidade disponível, evidenciando a diferença entre a procura e a quantidade de casas previstas nesse empreendimento.
Até as informações consultadas sobre o início da operação, não havia confirmação da conclusão da desocupação nem detalhamento sobre o destino das famílias retiradas.
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