Oito pessoas morrem em confrontos no Rio
Em duas ações de combate ao tráfico na região central do Rio de Janeiro, oito homens morreram ontem em confrontos com as polícias Militar e Civil. Um deles, Pedro Paulo da Silva Miranda, o MC da Rajada, 29 anos, era suspeito de ter participado da tortura e execução de três jovens do Morro da Providência, entregues por militares do Exército em abril do ano passado ao bando do Complexo de São Carlos, no Estácio.
O traficante foi morto no início da ação comandada pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) no São Carlos para tentar prender Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, braço-direito do chefão Rogério Rios Mosqueira, o Lindão ou Roupinol.
No alto do morro, Da Rajada e Renato Cornélio de Souza, conhecido como Baixinho, 22 anos, morreram na troca de tiros com agentes que estavam no helicóptero Águia, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Duas pistolas foram apreendidas com a dupla, além de 800 papelotes de cocaína, pedras de crack e comprimidos de ecstasy. Da Rajada era um dos fornecedores de drogas sintéticas do bando.
Para chegar à casa onde Lindinho se escondia, a polícia usou um informante com luvas, touca ninja, casaco e óculos escuros. Mas o bandido escapou, deixando aparelhos eletrodomésticos ligados.
À noite, o 1ºBPM (Estácio) fez uma incursão no vizinho Morro da Coroa, no Catumbi, também dominado pela facção Amigos dos Amigos (ADA). Houve intenso confronto e seis suspeitos foram mortos. Com eles, a polícia apreendeu um fuzil, uma metralhadora, cinco granadas (uma de bocal), dois revólveres e uma pistola.
Paulo Ricardo Barbosa, 20 anos, chegou de táxi ao Hospital Souza Aguiar com um tiro no peito e sem três dedos da mão direita, perdidos na explosão de uma granada.
Tiros em helicóptero
Durante a operação no São Carlos, enquanto o Águia sobrevoava a região, traficantes do Morro do Fallet, em Santa Teresa, se assustaram com a presença da polícia e chegaram a disparar na direção ao helicóptero. O jornal O Dia flagrou a movimentação dos criminosos armados, em alerta na Rua Elizeu Visconde. Eles se escondiam atrás de um poste e um dos bandidos chegou a ser substituído, passando a percorrer a favela em moto sem placa.
Ao perceberem que o alvo da polícia era a favela ligada à facção rival, os homens relaxaram e um deles acendeu um cigarro de maconha.