Lula maioridade penal: presidente se diz a favor da redução para 16 anos em crimes hediondos
Em entrevista a Renata Lo Prete, candidato à reeleição abordou PEC da Segurança Pública, relação com os EUA e crise no STF
Em sabatina na TV Globo, o presidente Lula declarou apoio pessoal à redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública. Disputando o segundo turno, ele defendeu a governabilidade com o Congresso, classificou como civilizada a relação com Donald Trump e criticou ataques da oposição a ministros do STF. Lula ainda considerou pouco convincente a justificativa do diretor da PF sobre um evento e adiou decisões de cargos para o pós-eleição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, declarou-se favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos durante sabatina transmitida pela TV Globo. A declaração ocorreu enquanto o Senado Federal debatia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O chefe do Executivo ressaltou que a posição reflete uma opinião pessoal, mas pontuou que o assunto não deve ser incorporado ao texto da reforma atual por não fazer parte do escopo original da proposta. Durante a entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, o mandatário reiterou o compromisso de criar o Ministério da Segurança Pública assim que o projeto for validado pelos parlamentares. Ele também refletiu sobre o resultado da votação no primeiro turno, em que obteve 45,16% dos votos válidos contra 47,03% alcançados pelo candidato Flávio Bolsonaro. A declaração sobre a mudança na legislação penal marcou a abertura do encontro. "Como cidadão brasileiro sou favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos".
Lula maioridade penal e as articulações no Congresso Nacional
Relações internacionais e atritos com o mercado financeiro
Ao analisar a governabilidade e o diálogo com o Congresso Nacional, o candidato fez uma avaliação positiva das alianças partidárias firmadas com legendas como PP, União Brasil, PSD e MDB. Ele destacou que a composição ministerial foi decisiva para aprovar a pauta governista no Poder Legislativo, embora tenha reconhecido percalços como a rejeição pelo Senado do nome de Jorge Messias para a vaga no STF. No âmbito internacional, o presidente classificou como civilizada sua relação com o mandatário norte-americano Donald Trump, minimizando o impacto das medidas tarifárias aplicadas ao comércio brasileiro e descartando, por enquanto, o uso imediato da Lei da Reciprocidade. O petista contestou ainda a tentativa dos Estados Unidos de enquadrar organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho sob o conceito internacional de terrorismo de Estado.
Em relação ao cenário jurídico, a sabatina abordou os desdobramentos da crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. O candidato argumentou que o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes da Corte — como Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça — têm sido alvo de constantes ataques promovidos por opositores políticos. Ele atribuiu essas pressões a desdobramentos ligados às investigações do caso Banco Master e a decisões judiciais que resultaram no desfecho criminal envolvendo a família de seu adversário político no pleito presidencial.
Por fim, a sabatina abordou a atuação dos órgãos de fiscalização e controle. Questionado sobre a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em um evento corporativo no exterior patrocinado pela instituição financeira investigada, o presidente declarou que a explicação recebida do subordinado não foi convincente. Ele ressaltou que decisões referentes à permanência ou reformulação de cargos estratégicos da administração pública serão tomadas apenas após a conclusão do processo eleitoral.
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