Caso Maroni: nova gravação "é show de horror", diz promotor
Fabrício Calado Moreira
Direto de São Paulo
Autor do inquérito contra o empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas, o promotor José Carlos Blat disse que a nova gravação apresentada ontem à noite, em audiência no Fórum da Barra Funda, é "um show de horrores" e confirma todas as denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra Maroni.
Maroni foi preso em audiência ontem à noite, no Fórum da Barra Funda, após ser ouvida uma testemunha, ex-namorada do empresário, que apresentou uma gravação que fez pelo telefone com Maroni - o que é diferente de grampo autorizado pela Justiça.
"Não é uma gravação ilícita, é dela, como interlocutora, com ele. Isso que motivou a prisão do Maroni", explica o promotor. Segundo Blat, na gravação, Maroni agencia mulheres para trabalhar em hotéis de luxo.
O promotor contou que, durante a audiência de terça-feira à noite, a defesa do empresário afirma que não é possível determinar a data das gravações. Porém, Blat garante que "a interlocutora (ex-namorada de Maroni) coloca frases bastante marcantes que permitem identificar quando essa gravação ocorreu".
"Em um momento, o Maroni negocia com outra prostituta para ela trabalhar para empresários de grande poderio econômico - ganharia de R$ 2 a R$ 3 mil por programa - e a ex-namorada entra na linha e fala 'te peguei, agora você vai voltar pra prisão', ou uma frase de efeito nesse sentido. Isso revela que (a gravação) foi após todo esse escândalo de 2007", diz Blat.
Catálogo
Hoje, o material gravado será separado, pois "existem várias gravações a respeito de vários assuntos", segundo o representante do MP. Uma fonte que teve acesso ao conteúdo de parte das gravações afirma ainda que elas contêm uma fala de Maroni dizendo que armou a prisão do jornalista Roberto Cabrini, em abril de 2008.
O jornalista foi detido com cocaína na zona Sul de São Paulo, e alegou que estava preparando uma matéria sobre tráfico de drogas. Perguntado, Blat não confirmou a informação apurada pelo Terra.
O próximo passo do processo é a perícia nos documentos. A previsão do promotor é que até agosto haja alguma decisão ou manifestação das partes no processo que corre contra Maroni na 5ª Vara Criminal.
Segunda prisão
Esta é a segunda vez que Maroni vai para a cadeia. Em 2007, o empresário ficou 49 dias preso na carceragem do 13º Distrito Policial. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Maroni foi preso ontem pelos crimes de formação de quadrilha ou bando, por manter casa de prostituição e tráfico interno de pessoas.
O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Edison Brandão, da 5ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda. Maroni foi inicialmente para o 23º Distrito Policial, em Perdizes, e encaminhado depois para o Instituto Médico Legal (IML), onde faria exames.