Casal é preso suspeito de torturar criança de 1 ano com água quente, sufocamento e agressões
Bebê sofreu traumatismo craniano e sofreu parada cardíaca
Um casal foi preso em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, sob suspeita de torturar e tentar matar uma criança de apenas um ano. De acordo com a investigação, a mãe, de 22 anos, recebia pelo celular orientações do marido e padrasto da vítima sobre como agredi-la sem deixar marcas aparentes.
Segundo a Polícia Civil, a criança teria sido submetida a uma série de violências, incluindo privação de sono, agressões físicas, sufocamentos e uso de medicamento controlado sem prescrição médica. A investigação também aponta que a vítima teria passado por situações de enforcamento e submersão da cabeça em água quente.
O delegado Fabiano Antunes de Almeida afirmou, em entrevista à TV Globo, que mensagens trocadas pelo casal ajudaram a revelar a dinâmica das agressões.
"O casal trocava mensagem entre eles e o padrasto orientava a mãe como agir. A criança era trancada no banheiro nua e apanhava com uma colher de pau. Era ministrado um medicamento de tarja preta, o Diazepam, para que essa criança dormisse, ela [era submetida a] caminhadas forçadas durante a madrugada e o mais grave: enforcamento e submersão em uma bacia com água quente por reiteradas vezes. Conforme as mensagens, [a submersão era] de 5 em 5 minutos", afirmou.
Ainda conforme o delegado, a criança teria sido submetida a outras formas de violência para impedir que os vizinhos percebessem o que acontecia dentro da residência. A polícia afirma que toalhas eram usadas para sufocar a vítima e que o casal aumentava o volume da televisão ou do rádio para esconder os choros.
Os policiais apreenderam, durante o cumprimento dos mandados de buscas, medicamentos controlados, uma colher de madeira usada nas agressões, uma máquina de choque, uma arma falsa, uma algema, aparelhos celulares e uma bacia plástica. Segundo a polícia, os materiais serão analisados e poderão ajudar no avanço das investigações.
Criança sofreu traumatismo craniano
O episódio considerado mais grave pela investigação ocorreu em 19 de junho. Na ocasião, a criança sofreu um traumatismo craniano grave, acompanhado de hematoma subdural, caracterizado pelo acúmulo de sangue entre a superfície do cérebro e a dura-máter, membrana que reveste o órgão. Ela deu entrada no hospital com a justificativa que tinha sofrido uma queda da cama.
Também foram identificadas extensas hemorragias retinianas, que correspondem a sangramentos na retina ou no interior dos olhos.
A vítima chegou ao atendimento médico com um nível extremamente reduzido de consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Diante da gravidade do quadro, foi encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Após permanecer cerca de um mês internada, a criança recebeu alta hospitalar. Desde então, passou a ficar sob os cuidados do pai.
A defesa do casal afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que ainda não teve acesso aos laudos utilizados para fundamentar as prisões. Segundo os advogados, a versão apresentada pela investigação será contestada no decorrer do processo e a defesa pretende demonstrar o que considera ser a realidade dos fatos.
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