Bope testará veículo blindado e receberá aeronave blindada
Os policais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro conheceram nessa quinta-feira um novo modelo de caveirão - como é chamado o carro blindado usado em operações -, que poderá ser comprado pelo Estado. Fabricado pela brasileira Inbra Filtro, ele será testado pelos policiais em setembro. O veículo está em exposição na Latin America Aerospace and Defence (LAAD) - feira de defesa e segurança da América Latina - no Riocentro.
Entre os equipamentos do blindado, há uma arma no teto que gira 360º e é acionada de dentro do veículo. O alvo é visto na tela de um computador. Para não colocar em risco a vida de inocentes em confrontos dentro de cidades, ela pode ser substituída por uma arma não-letal.
"O Bope é nosso melhor laboratório", disse o diretor comercial da empresa fabricante, Levy da Silveira. O comandante do Bope, tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, visitou a fábrica em Mauá, São Paulo, e deu dicas para a construção do veículo. "É importante que nossos policiais aprovem o carro, já que são eles que vão usá-lo. Se for aprovado, é esperar para ver se o Estado vai comprá-lo", disse Pinheiro Neto.
O novo blindado apresenta uma série de vantagens sobre o caveirão usado pelo Bope: é mais leve; tem tração nas quatro rodas para facilitar a subida de morros; atravessa lugares com até um metro de água; a blindagem suporta tiros de fuzil e explosões de minas; tem lançadores de granada e fumaça; e atinge até 140 km/h.
"É uma alternativa eficaz e segura para missões de variadas complexidades, como transporte e escoamento de tropas com agilidade", disse o presidente do Grupo Inbra Filtro, Jairo Cândido.
Aeronave
A Polícia Militar vai ganhar um helicóptero blindado para atuar em operações e resgates em calamidades públicas. O modelo, Bell Huey II, é semelhante ao usado pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) - uma versão atualizada do UH-1H, utilizado pelo exército americano na Guerra do Vietnã. O caveirão do ar vai custar cerca de R$ 16 milhões, dinheiro proveniente do Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci). O repasse ao governo estadual acontecerá até o mês que vem.
"É uma aeronave que carrega uma grande quantidade de macas, além de ser blindado, porque a situação do crime no Rio exige isso. Esse dinheiro já estava garantindo. Ele quase deixou de ser comprado por causa dos cortes motivados pela crise internacional", afirmou o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, após o 1º Encontro do Programa Rio Cultura de Paz, no Circo Voador, na Lapa. Ele e o ministro da Justiça, Tarso Genro, ouviram depoimentos de jovens e mulheres beneficiados por programas federais de combate à criminalidade.
O caveirão do ar tem capacidade para 15 tripulantes, pesa 3,5 t e possui 240 kg de blindagem que suporta tiros de calibre ponto 30. Com a aquisição do Huey II para a PM, fica quase inviável a compra, pelo menos este ano, de outra aeronave blindada para a Polícia Civil, que já tem três helicópteros e ainda reivindica mais um.
A compra de mais um caveirão do ar para a Polícia Civil resolveria o problema em uma situação como aconteceu recentemente, quando o Huey II apresentou problemas mecânicos. A aeronave ficou um mês parada porque a peça para o conserto só chegou ao Brasil ontem. Neste período, os agentes tiveram que usar o modelo Esquilo, que não é totalmente blindado. Foi justamente em um modelo desse que, no ano passado, o policial Eduardo Henrique Mattos, atirador de elite da Core, foi atingido na cabeça quando participava de uma operação no Morro do Adeus, em Ramos.