PF aponta direcionamento de emendas para abastecer empresas ligadas a produtora de filme sobre Bolsonaro
A Polícia Federal apura um esquema de desvio de emendas parlamentares para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, ocultando a origem pública dos recursos. Segundo decisão do ministro Flávio Dino, do STF, o deputado Mario Frias é apontado como figura central na organização criminosa. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca contra Frias e a produtora Karina Gama, dona da Go Up Entertainment. Frias teve o passaporte retido, e o financiamento da obra também é alvo de um segundo inquérito.
A Polícia Federal apontou um esquema de desvio e direcionamento de emendas parlamentares de deputados federais de diversos Estados para organizações e empresas ligadas a Karina Gama, a produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de custear despesas dessa cinebiografia, segundo a decisão tornada pública nesta quinta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
A suspeita da PF é que esse esquema visava ocultar a origem pública dos recursos e que esse emaranhado de entidades servia como uma espécie de conta única eventualmente para custear o filme sobre o ex-presidente, "Dark Horse".
A decisão de Dino cita trechos em que a PF disse haver "coincidência temporal" entre o período em que o filme foi produzido no segundo semestre de 2025, e o período em que a Go Up Entertainment, produtora do filme, recebeu recursos de diversos remetentes, entre eles por meio de emenda do deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do Dark Horse.
"Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras", disse a representação da PF, citada na decisão de Dino.
A PF deflagrou nesta quinta-feira operação para apurar o suposto desvio de recursos de emendas para a produção do filme sobre o ex-presidente, tendo endereços ligados a Mario Frias e Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, como alvos de mandados de busca e apreensão, conforme determinação do ministro do STF.
"Em verdade, há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o deputado federal Mario Frias figura como agente central", afirmou a PF, em trecho citado por Dino na decisão.
Procurados, Frias e a Go Up Entertainment não responderam de imediato a pedido de comentário.
Em nota divulgada mais cedo, sem citar o filme ou mencionar os alvos da operação, a PF disse que, no âmbito da operação, batizada de Make Up, estavam sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
A decisão de Dino impôs uma série de medidas cautelares a Mario Frias e outros investigados, como a apreensão de passaporte e a não comunicação com outros envolvidos no caso.
SEGUNDO INQUÉRITO
A realização e financiamento do filme sobre Bolsonaro estão no centro de uma disputa política a menos de um mês das eleições e também são investigados em um segundo inquérito no Supremo.
Em julho, o ministro André Mendonça abriu outra investigação para apurar repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse" e tem como alvo o senador e candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro.
O filme sobre Jair Bolsonaro ganhou notoriedade em maio após a revelação pelo site Intercept Brasil de que Flávio solicitou repasses a Vorcaro para financiar a produção do filme.
Flávio Bolsonaro sempre negou irregularidades no caso e disse que fez um pedido de um investimento privado ao empresário.
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