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Pagamentos do Master a importantes figuras de Brasília alimentam tensões eleitorais

9 abr 2026 - 20h20
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O banqueiro Daniel Vorcaro, preso ‌no mês passado por alegações de fraude, pagou milhões de reais a figuras poderosas de todo o espectro político, segundo registros fiscais analisados pela Reuters, durante um período em que seu banco estava tentando evitar a liquidação.

Os pagamentos aumentam as chances de que um escândalo em torno do liquidado Banco Master possa ter um impacto nas eleições gerais de outubro, quando os brasileiros escolherão um novo presidente, ⁠governadores, deputados e senadores.

No centro dos holofotes está Vorcaro, dono do Banco Master, que conduziu uma rápida ‌expansão que surpreendeu alguns analistas. Sua suposta influência sobre integrantes do Banco Central é agora objeto de uma investigação criminal.

Em documentos fiscais obtidos por uma investigação do Congresso e revisados pela Reuters, o ‌Banco Master relatou ter feito pagamentos elevados ao ex-presidente Michel ‌Temer, um ex-assessor sênior do ex-presidente Jair Bolsonaro e um ex-ministro da Fazenda que apresentou ⁠Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os documentos também confirmaram relatos da imprensa de que o banco fez pagamentos a um escritório de advocacia administrado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Questionados sobre o assunto, todos os beneficiários disseram que os pagamentos foram feitos legalmente por serviços prestados. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente suas contas e não há evidências de ‌que os pagamentos estejam vinculados a decisões regulatórias.

Os pagamentos identificados pela Reuters foram feitos em 2025, depois ‌que o Banco Central sinalizou a ⁠má administração do banco, ⁠que foi liquidado em novembro.

Como Vorcaro está agora negociando um possível acordo de delação premiada com a Polícia Federal, ⁠de acordo com duas fontes próximas à investigação, a extensa ‌rede de pagamentos aumenta a ‌preocupação com revelações mais graves nos próximos meses.

Leonardo Barreto, analista da consultoria Think Policy, disse que o escândalo ultrapassou as linhas partidárias em Brasília, o que pode "diluir esse sentimento de culpa".

Ainda assim, ele acrescentou que o impacto pode ser pior para os candidatos em exercício, como Lula, ⁠porque "os eleitores não fazem essa distinção e são guiados pelo ambiente geral".

REPUTAÇÕES EM RISCO

Os documentos mostram que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu R$40 milhões do Banco Master em 2025.

A empresa disse em um comunicado que as informações foram "vazadas ilegalmente" e que os valores relatados nos documentos vazados estavam ‌errados, sem oferecer mais detalhes.

Na quarta-feira, quando os detalhes dos documentos fiscais começaram a aparecer na imprensa, Lula sugeriu em uma entrevista que estava preocupado com os danos à reputação de Moraes.

Lula ⁠disse que falou ao ministro do Supremo que ele havia construído um "legado histórico neste país", mas acrescentou um conselho: "Não permita que o caso Vorcaro jogue fora seu legado."

Lula não está sob investigação e tem procurado se dissociar do caso.

O ex-ministro da Fazenda de Lula Guido Mantega também apareceu nos registros, com sua empresa de consultoria recebendo R$8 milhões do banco.

Mantega, que organizou o encontro de Vorcaro com Lula no ano passado, disse em um comunicado que "quando assinei o contrato de consultoria, não havia indícios de irregularidades".

Temer, o ex-presidente que rompeu com o partido de Lula, confirmou que seu escritório de advocacia ganhou R$7,5 milhões por serviços de mediação jurídica prestados ao Banco Master. Temer ressaltou que essas contratações ocorreram depois que ele deixou o cargo, em 2018.

Fabio Wajngarten, ex-chefe de comunicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu R$3,8 milhões do Banco Master em 2025. Wajngarten afirmou ter trabalhado na equipe de defesa jurídica de Vorcaro sob um contrato com cláusulas de confidencialidade.

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