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Operação contra agiotagem prende três suspeitos e bloqueia imóveis e veículos na Serra Gaúcha

Investigação aponta que grupo ligado a uma facção criminosa movimentou R$ 32,3 milhões com empréstimos abusivos,

9 out 2026 - 10h07
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Resumo
A Operação Multiplicação, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul na Serra Gaúcha, prendeu três suspeitos e bloqueou bens de um esquema de agiotagem e extorsão ligado a uma facção criminosa. O grupo movimentou cerca de R$ 32,3 milhões por meio de juros abusivos, ameaças violentas — incluindo o incêndio da casa de uma vítima — e cobranças contínuas mesmo após a quitação das dívidas. As investigações apuram lavagem de dinheiro, usura e a participação de outras pessoas no esquema.

Uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) prendeu três pessoas e cumpriu mandados em 13 endereços de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha, nesta sexta-feira (9). A ação investiga um esquema de empréstimos com juros abusivos, extorsão e ameaças contra devedores que teria movimentado cerca de R$ 32,3 milhões.

Foto: MPRS / Porto Alegre 24 horas

Batizada de Operação Multiplicação, a ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Oito pessoas são investigadas por suspeita de envolvimento no esquema, que, segundo o Ministério Público, utilizava vínculos com uma facção criminosa para intimidar as vítimas.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos celulares, computadores, documentos, armas e munições. A Justiça também determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados.

Vítimas continuavam sendo cobradas após pagamentos

Conforme a investigação, o grupo concedia empréstimos com juros elevados e, posteriormente, exigia novos pagamentos por meio de intimidações e ameaças. Mesmo quando os valores inicialmente acordados eram quitados, as cobranças continuavam, ampliando as dívidas e os prejuízos financeiros das vítimas.

Em um dos casos apurados, uma pessoa pegou R$ 50 mil emprestados, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Ainda assim, as exigências financeiras prosseguiram.

O Ministério Público afirma ter reunido mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros documentos que indicariam a continuidade das cobranças mesmo após os pagamentos.

Casa de vítima foi incendiada

As apurações também identificaram um episódio em que a residência de uma das vítimas foi incendiada durante a cobrança de um empréstimo. Segundo o MPRS, o ataque teria sido utilizado para intimidar o devedor e reforçar as ameaças contra outras pessoas que tinham dívidas com o grupo.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal de parte dos suspeitos. De acordo com o Gaeco, contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, empresas e terceiros teriam sido utilizadas para movimentar os recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

As transações analisadas somam aproximadamente R$ 32,3 milhões.

Investigação começou em operação anterior

A Operação Multiplicação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, que investigou a estrutura financeira da mesma facção criminosa.

Os crimes apurados teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025. Os investigados poderão responder por extorsão, organização criminosa, usura — prática de empréstimos com juros excessivos — e lavagem de dinheiro.

A ação foi coordenada pelo Gaeco, com participação do 4º Batalhão de Choque da Brigada Militar. A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer a origem dos recursos e aprofundar o levantamento do patrimônio relacionado ao esquema.

Porto Alegre 24 horas
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