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Onze diretores da PF entregam cargos em apoio a Andrei Rodrigues

8 set 2026 - 15h26
(atualizado às 16h26)
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Resumo
Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição em solidariedade a Andrei Rodrigues, diretor-geral afastado pelo ministro do STF André Mendonça. O afastamento ocorreu após a revelação de relatórios da corporação sobre Mendonça enviados a Alexandre de Moraes, no âmbito de disputas internas ligadas ao caso do Banco Master. A cúpula da PF repudiou acusações de conduta não republicana, classificando os ataques à corporação como manobras com motivações político-eleitorais.

Após afastamento do diretor-geral da PF por André Mendonça, 11 nomes da cúpula da corporação criticam "narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais" e condenam "tentativas de usurpação de funções".Onze diretores da Polícia Federal (PF) divulgaram nesta terça-feira (08/09) uma nota manifestando seu total apoio a Andrei Rodrigues, o diretor-geral afastado da instituição por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e colocaram seus cargos à disposição do delegado William Marcel Murad, diretor-geral substituto.

A declaração, divulgada horas após o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência do órgão, Leandro Almada da Costa, tem como intuito defender da Polícia Federal de ataques e "tentativas de usurpação de funções" e preservar a capacidade da corporação de atuar na promoção da Justiça e na defesa do Estado democrático de Direito, disseram os diretores.

"Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja", diz a manifestação assinada por onze diretores.

"Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores."

"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do diretor-geral substituto", afirma a nota.

Moraes no centro das tensões entre Mendonça e a PF

A decisão de Mendonça de afastar Rodrigues se deu por causa da divulgação de relatórios sobre o próprio Mendonça, encaminhados por Rodrigues a Alexandre de Moraes, também ministro do STF.

Mendonça pediu que a Segunda Turma do STF (composta por Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques, além do próprio Mendonça), avalie a decisão ainda nesta terça. Fux e Nunes Marques adiantaram seus votos, seguindo o relator, Mendonça, formando, assim, maioria para manter a decisão. Gilmar Mendes pediu vista, o que, na prática, atrasa a formalização do resultado final.

Os ministros do Supremo têm antagonizado em torno do caso do Banco Master, principalmente depois da divulgação, por Mendonça, de investigações da PF que revelam supostas conversas entre Moraes e o controlador do Master, Daniel Vorcaro. Na troca de mensagens, o banqueiro cita o nome do diretor-geral da PF como um possível intermediário para "reverter" as investigações que levariam à prisão preventiva de Vorcaro.

Em reação, Moraes fez um pedido de investigação contra Mendonça a Edson Fachin, presidente da Corte. Com base nos relatórios de inteligência da PF, pedidos por Andrei Rodrigues, Moraes afirma que o colega teria interferido em negociações de delação premiada, atropelado procedimentos de produção de relatórios e direcionado as investigações visando incriminar o próprio Moraes.

Mendonça disse estar sendo monitorado pela PF

Na decisão desta terça-feira, Mendonça alega, por outro lado, que vinha sendo monitorado pela inteligência da PF há mais de um mês, de forma ilícita e sistemática. No despacho, o ministro alega que Andrei Rodrigues encaminhou a Moraes, no inquérito das Fake News, seis relatórios de inteligência.

Esses documentos sugerem uma relação de Mendonça com o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para que o AGU não recorresse de decisões, pelo fato de os dois, ligados à religião evangélica, possuírem "matriz religiosa comum". Mendonça classificou a alegação da PF como "surreal" e "abjeta". Além disso, o ministro afirmou que os relatórios não têm validade por estarem sem assinatura, timbre e numeração.

A medida para o afastamento do diretor da Polícia Federal também determina que a corregedoria da PF instaure apurações nas esferas criminal e disciplinar para esclarecer como foram produzidos os relatórios de inteligência que tinham como foco autoridades públicas.

Além disso, Mendonça proibiu, de forma cautelar, a elaboração e a circulação de documentos de inteligência destinados a avaliar a atuação de magistrados, integrantes da advocacia pública ou agentes responsáveis por investigações policiais.

rc/md (ots)

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