Música bilíngue lançada nas redes viraliza e muda trajetória de estudante brasileira em Paris
Fernanda Coelho, uma brasileira de 25 anos que faz mestrado em Paris, conquistou um sucesso inesperado na música e já começa a tocar em rádios francesas. A partir de um projeto pessoal, a jovem lançou a canção "Clichê", que rapidamente acumulou quase 2 milhões de visualizações nas redes sociais e milhares de streams.
A artista aposta em uma sonoridade pop bilíngue, combinando português e francês e incorporando referências musicais dos dois países. Com a rápida viralização, a jovem natural de São Paulo assinou contrato com uma gravadora alemã e prepara novos lançamentos.
Apesar da surpresa, a relação com a música é antiga. "Eu comecei a cantar muito cedo, com cinco anos, já me apresentando em palco com o incentivo dos meus pais. Eu acho que tem coisas que a gente não explica. Às vezes a gente tem um amor, um talento. Eu era aquela aluna que preferia estar se apresentando no recreio", conta.
Na hora de escolher o rumo profissional, Fernanda acabou optando pela arquitetura, e o caminho acadêmico se tornou a via mais segura. A jovem foi a Paris continuar os estudos, em um mestrado na área.
Já o viés musical ressurgiu após conhecer o atual namorado, o produtor musical francês Ulysse Molho, que reacendeu nela a vontade de voltar a cantar. "Ele me convidou para o estúdio para nos divertirmos e para eu 'desbloquear' um pouco, já que eu não cantava desde que entrei na faculdade", explica.
Primeira composição de forma natural
Foi nesse contexto despretensioso que surgiu "Clichê". A ideia era clara: reunir as duas culturas que hoje fazem parte da vida da artista. A canção mistura referências como o funk brasileiro e influências da música eletrônica francesa, como Daft Punk. "A música saiu na terceira tentativa de melodia", lembra Fernanda.
"O Brasil é muito 'trend' no exterior, mas as pessoas ainda não conhecem a cultura profundamente, e eu quero apresentar isso. Acho que é muito interessante misturar o pop brasileiro com o pop francês. Acho que é um casamento perfeito: o pop francês tem uma batida única e o brasileiro tem uma vibração especial", opina Fernanda.
Ela conta que, inicialmente, o plano era somente postar a faixa nas redes sociais. "Não tínhamos intenção de lançar, até porque estou no meio do meu mestrado", diz. Mesmo assim, a canção ganhou forma em português e francês.
"Cheguei a fazer cover no YouTube com 16 anos, mas foi a primeira música que compus. Escrevi a base inteira em português, que é mais natural para expressar meus sentimentos", explica. "Hoje, para mim, é tão natural passar do português para o francês que senti que isso deu um toque especial, porque não é forçado, reflete os dois mundos que estou vivendo."
Viralização orgânica
O sucesso veio de forma orgânica e vertiginosa. "Passamos de apenas família e amigos curtindo para subir mil seguidores por dia", conta. Em poucos dias, o projeto saiu do anonimato para ter milhares de seguidores. "Quando passou de 200 para 10 mil seguidores em uma semana, vimos que algo estava acontecendo ali."
Os números confirmaram a percepção: passada uma semana, 100 mil streams no Spotify foram alcançados. "Meu produtor avisou que isso é raro para uma artista iniciante."
Em seguida, veio o interesse de gravadoras e produtoras, que culminou em um contrato com o selo alemão Bamboo Artists.
Agora, com novos lançamentos previstos, Fernanda quer seguir explorando a mistura cultural que marcou sua estreia, explorando ritmos brasileiros.
Para ela, a proposta vai além da estética sonora: trata-se de identidade.
"A música é uma maneira de explorar minha experiência como estrangeira, fazendo relações entre as diferenças do Brasil e da França."
A autenticidade é central no seu projeto, já que Fernanda acredita que o mais importante é "colocar a alma, especialmente com o crescimento da inteligência artificial" no meio artístico.
Dividida entre o fim do mestrado e o início da nova fase artística, a artista ainda mantém os pés nos dois mundos, mas já sabe qual escolher, se for preciso. "Se eu conseguir viver disso e continuar no projeto, não tenho dúvidas do que escolheria."
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