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Ministra do TSE que vai julgar uso de 'Bolsonaro de IA' por campanha de Flávio: 'Autenticidade é um direito básico'

'Daqui a pouco a gente só vai ter candidato de IA", afirmou Estela Aranha. TSE julgará, ainda sem data confirmada, uso de avatar de Jair Bolsonaro em convenção do PL no fim de julho.

14 ago 2026 - 12h22
(atualizado às 12h42)
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'A autenticidade das pessoas na política é um direito básico', afirmou a ministra do TSE, Estela Aranha.
'A autenticidade das pessoas na política é um direito básico', afirmou a ministra do TSE, Estela Aranha.
Foto: Wanezza Soares/BBC / BBC News Brasil

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu o direito do eleitor à autenticidade em meio à onda de vídeos feitos com inteligência artificial na eleição brasileira.

"A autenticidade das pessoas na política é um direito básico. Daqui a pouco a gente só vai ter candidato de IA", afirmou.

A declaração ocorreu nesta sexta-feira (14/8), durante evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país. A ministra é um dos destaques do fórum BBC World Service: Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade.

Estela Aranha é uma dos sete ministros que julgará em breve uma ação apresentada pelo PT questionando o uso de um avatar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro no fim de julho.

"Queremos saber em que candidato estamos votando, e não numa versão mais bonita e inteligente dele feita por IA", afirmou a ministra, em comentário geral.

Para ela, o julgamento do caso de Bolsonaro terá um "impacto muito grande" na campanha. "Certamente vai ter um impacto muito grande, porque a grande questão é obviamente, você sempre teve gente e mentiras, entre outras coisas, mas a plausibilidade que você tem numa imagem de fake é muito grande."

Ela também alertou que a lei veda "expressamente" o uso de uma pessoa com identidade real em conteúdos feitos com IA.

O julgamento do caso do uso de um avatar de Bolsonaro, cujo relator é o presidente do TSE, o ministro Kássio Nunes Marques, foi adiado nesta semana e ainda não tem data para ocorrer.

Na gravação que será analisada, o avatar de Bolsonaro começa avisando que se trata de conteúdo artificial. Depois, faz críticas à sua prisão, diz ter escolhido Flávio para sucedê-lo e conclui: "o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente".

Caso a Corte entenda que houve irregularidade, o cenário mais provável é que a campanha de Flávio seja multada por propaganda antecipada e proibida de usar gravações de Jair Bolsonaro feitas com IA devido a uma resolução do TSE que restringe o uso de conteúdo gerado artificialmente.

A defesa de Jair Bolsonaro negou que ele tenha autorizado a produção e uso do vídeo exibido na convenção, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigiu explicações.

Ao negar ter autorizado esse conteúdo específico, a defesa disse, por outro lado, que o ex-presidente nunca se opôs ao uso de sua imagem pelos filhos.

Para a ministra, a campanha agora ocorre de forma permanente, e não depende do calendário eleitoral. Determinado pelo TSE, o calendário deste ano prevê, por exemplo, que a campanha eleitoral começa neste domingo (16/08) nas ruas, no rádio e na televisão. Nas redes sociais, não.

"Hoje em dia a gente tem campanha eleitoral permanente nas rede sociais", afirmou ela.

Por isso, é preciso que as plataformas se ajustem às regras. "Não estamos falando de liberdade de expressão, as empresas têm que seguir normas", diz a ministra.

"Não vamos fechar todas as plataformas, mas elas têm que cumprir a lei."

No evento, Estela conversou com a cientista da computação e fundadora do Instituto da Hora, Nina da Hora, Marcela Castro, professora especialista em educação midiática, e com os jornalistas da BBC News Brasil, Mariana Schreiber e Luiz Fernando Toledo.

A conferência gratuita reúne jornalistas, pesquisadores, educadores, criadores de conteúdo, especialistas em tecnologia, representantes da sociedade civil e autoridades públicas para discutir caminhos para enfrentar o avanço da desinformação no Brasil e no mundo.

A ministra do STF Cármen Lúcia também participa do evento, às 17h, em uma conversa sobre democracia, integridade eleitoral, violência política de gênero e desinformação.

A programação inclui debates sobre os impactos da inteligência artificial na democracia e na credibilidade, a responsabilidade e o alcance de influenciadores digitais na era da desinformação, e o avanço de redes de abuso e misoginia online contra mulheres. O médico e escritor Drauzio Varella também será ntrevistado.

Entre os painelistas também estão a influenciadora digital Mari Krüger, a diretora de projetos especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha e a delegada Lisandrea Salvaregio Colabuono, chefe da Divisão de Operações Digitais e Articulação.

Juliana Cunha, Nina da Hora, Estela Aranha e Marcela Castro participarão do fórum Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade
Juliana Cunha, Nina da Hora, Estela Aranha e Marcela Castro participarão do fórum Trust is Earned - O Desafio da Credibilidade
Foto: Divulgação / BBC News Brasil

O fórum busca compartilhar a expertise da BBC no combate à desinformação com educadores e professores que já lideram ou têm interesse em projetos de educação midiática em suas escolas.

Todos os painéis contam com a presença de jornalistas da BBC News Brasil e da equipe de combate à desinformação da BBC World Service, no Reino Unido.

Segundo Kevin Ponniah, diretor regional para as Américas da BBC World Service, o fórum reflete o compromisso da BBC em combater a desinformação, apoiar a educação midiática e ajudar pessoas de todas as idades a avaliar criticamente as informações com as quais se deparam diariamente.

"Em um mundo em que somos bombardeados por desinformação em múltiplas plataformas ao longo do dia, o 'Trust is Earned' aborda alguns dos desafios enfrentados pelo público e pelos jornalistas, além de apresentar caminhos para navegar pelo novo cenário da informação."

A programação prevê ainda oficinas, com participantes podendo aplicar técnicas e conceitos de educação midiática ao que leem, assistem ou ouvem.

As atividades são ministradas em português e inglês, com tradução simultânea disponível durante todo o evento. O fórum acontece no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo.

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