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Macron diz que Bolsonaro mentiu e refuta acordo com Mercosul

Em meio à crise das queimadas na Amazônia, governo francês acusa presidente brasileiro de desrespeitar compromissos firmados no G20

23 ago 2019
11h35
atualizado às 12h16
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Em meio à crise das queimadas na Amazônia, governo francês acusa presidente brasileiro de desrespeitar compromissos firmados na cúpula do G20. Proteção do meio ambiente foi condição para acordo comercial com a UE.Diante da crise gerada pelas queimadas na Amazônia, o governo do presidente francês, Emannuel Macron, disse nesta sexta-feira (23) que Jair Bolsonaro mentiu ao assumir compromissos em defesa do meio ambiente durante a cúpula do G20 no Japão, algo que, segundo a França, deve inviabilizar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República [francesa] só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] em Osaka", declarou o Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em nota.

"Nessas circunstâncias, a França se opõe ao acordo com o Mercosul", conclui o comunicado, lembrando que o Parlamento da França ainda precisa ratificar o acordo comercial.

Na quinta-feira, Macron já havia sugerido que as queimadas e o desmatamento da Amazônia brasileira deveriam ser tema de reuniões na cúpula do G7, que ocorre a partir desta sexta-feira em Biarritz, no sudoeste da França. A proposta foi apoiada pela chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel.

No Twitter, Macron postou foto do incêndio na Amazônia e a hashtag #ActForTheAmazon
No Twitter, Macron postou foto do incêndio na Amazônia e a hashtag #ActForTheAmazon
Foto: DW / Deutsche Welle

O governo da Irlanda também adotou uma posição similar à francesa, afirmando que não deve ratificar o acordo por causa da falta de comprometimento dos brasileiros "em honrar seus compromissos ambientais".

Nas últimas semanas, a França e outros países europeus vêm criticando a política ambiental do governo brasileiro. Desde que tomou posse, Bolsonaro e membros do seu governo vêm defendendo a exploração de minerais em terras indígenas, contestando dados científicos sobre aumento do desmatamento, propondo a legalização de garimpos, esvaziando órgãos de proteção ambiental e promovendo mudanças unilaterais no Fundo Amazônia, que conta com financiamento europeu.

Bolsonaro também já ameaçou em algumas ocasiões deixar o Acordo de Paris sobre o clima e, mais recentemente, reagiu com desprezo quando a Alemanha e a Noruega suspenderam repasses para programas ambientais diante da nova guinada na política ambiental brasileira.

No final de julho, Bolsonaro ainda esnobou uma visita do ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. Na ocasião, o presidente cancelou de última hora o encontro com o ministro que estava agendado em Brasília e, pouco depois, apareceu ao vivo na internet cortando o cabelo. O gesto teatral repercutiu mal na imprensa francesa.

A queda de braço com os franceses ocorre em meio a dúvidas sobre o futuro do acordo entre a UE e o Mercosul, fechado em junho após 20 anos de negociações. À época, o governo Bolsonaro celebrou o desfecho como um trunfo da política externa, mas não parou de antagonizar com vários países da UE, cujos parlamentos ainda precisam ratificar o acordo.

Na França, o presidente Macron já havia colocado um reforço da proteção ambiental no Brasil como condição para implementação do acordo de livre-comércio. Após um início tenso na cúpula do G20, em junho, o líder francês disse que o acordo foi finalmente fechado porque Bolsonaro havia oferecido garantias de preservação do meio ambiente brasileiro.

"A verdadeira mudança na fase final de negociação foi a afirmação clara pela qual o Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris e na luta pela biodiversidade", disse Macron na ocasião, em Osaka, no Japão.

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