Lula lança candidatura e promete investir em defesa para evitar 'invasão'
Presidente não citou Trump nem Flávio Bolsonaro e longo discurso em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente neste domingo (2) sua candidatura à reeleição, durante a convenção nacional do PT em São Paulo, e prometeu comprar brigas com o Congresso e aumentar o investimento em defesa, em um aceno aos militares, categoria identificada com o bolsonarismo.
Em um longo discurso no Expo Center Norte, o petista afirmou que não quer mais o "Lulinha paz e amor" e que é preciso desafiar o crescente poder do Legislativo em relação ao Executivo.
"Eu quero o Lulinha porreta, porque do básico nós já cuidamos. O povo está comendo, e agora é hora de dar um salto de qualidade e pensar no futuro do país. Essa eleição é para definir que país a gente vai deixar", declarou Lula, que vai para sua sétima corrida presidencial, em busca de seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
"A minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o poder Legislativo, porque não posso permitir que o presidente da República vá perdendo seus direitos. Vai ter que ter briga democrática para mudar este país", acrescentou o mandatário, ressaltando que o governo precisará ser "mais ousado".
Lula também disse que a esquerda "precisa parar com a bobagem de achar que não tem de se preocupar com defesa", em um país com "16,8 mil quilômetros de fronteira terrestre, 8 mil quilômetros de fronteira marítima e 12% da água doce do mundo".
"Nós precisamos investir na defesa porque eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o presidente como eles invadiram", destacou, em referência à captura do venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro. "Eu quero estar preparado para a paz, não para a guerra, para ninguém ousar se fazer de besta conosco", salientou.
Apesar da menção indireta ao ataque americano à Venezuela, Lula não citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em nenhum momento, nem os tarifaços impostos por Washington ao Brasil. Ele também não mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas eleições.
No entanto, criticou a "mentira utilizada pela inteligência artificial" na campanha eleitoral, em possível alusão ao deepfake do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena por golpe de Estado, usado na convenção que oficializou a candidatura de Flávio.
"Neste país, a mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que estamos fazendo ao povo brasileiro", disse. Além disso, o petista afastou possíveis preocupações com sua idade avançada ? ele terá 81 anos em um eventual quarto mandato ? e garantiu que está "muito melhor" do que quando tinha 57 anos, ao subir a rampa do Planalto pela primeira vez.
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