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Lula defende multilateralismo em artigo publicado na Alemanha

17 abr 2026 - 07h01
(atualizado às 08h17)
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Presidente critica mundo regido pela "lei do mais forte" e aposta em parceria com a Alemanha em artigo publicado em jornais alemães às vésperas da Feira de Hannover.Diante do aumento das tensões globais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta em uma "parceria estratégica" com a Alemanha para fortalecer o multilateralismo. "Estou convencido de que o multilateralismo é indispensável. Somente por meio dele podemos atender às demandas de nossos povos e de toda a humanidade por paz, sustentabilidade e prosperidade compartilhada", escreveu Lula em um artigo publicado nesta sexta-feira (17/04) pelos jornais alemães Tagesspiegel e Handelsblatt.

O texto foi publicado às vésperas da Feira de Hannover, maior feira de tecnologia industrial do mundo, na qual o Brasil volta a ser país parceiro após mais de quatro décadas, levando cerca de 140 empresas expositoras à cidade no noroeste da Alemanha.

O encontro, que reúne anualmente milhares de expositores e mais de 130 mil visitantes de diversos países, abre suas portas na próxima segunda-feira, sendo inaugurado oficialmente no próximo domingo (19/04), em uma cerimônia com a presença de Lula.

Lula foi destaque em entrevista na revista Der Spiegel nesta quinta-feira, mesmo dia em que embarcou para a Europa.

Diálogo em tempos de instabilidade

"Enquanto a instabilidade global aumenta, nossos países se apoiam no diálogo e na cooperação", enfatizou Lula, afirmando que aceitou o convite do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, para ir a Hannover e aprofundar ainda mais a parceria entre Brasil e Alemanha.

Lula lembra que o Brasil foi o primeiro país parceiro do evento em 1980, época em que ainda estava sob uma ditadura. "O Brasil que apresentamos agora em Hannover é diferente: uma democracia, um país com os menores índices de pobreza, desigualdade e desemprego da sua história, salários crescentes e inflação controlada. Somos agora o segundo destino mais importante para o investimento estrangeiro direto, e a nossa principal bolsa de valores atingiu um recorde histórico este mês", afirma o presidente.

Mundo regido pela "lei do mais forte"

Para o líder brasileiro, a ascensão do unilateralismo, o enfraquecimento do direito internacional e a escalada dos gastos militares colocam em risco não apenas a paz, mas também a capacidade dos países de enfrentar desafios comuns como a fome, a desigualdade e a crise climática.

Um dos trechos mais fortes do artigo é a crítica direta à explosão dos gastos militares globais, que atingem cifras recordes. Lula contrapõe esses números à persistência da fome e da pobreza extrema.

"Estamos vivenciando um momento particularmente crítico na política mundial: o unilateralismo está em ascensão, a lei da selva prevalece e os gastos militares atingem um novo recorde de cerca de 2,7 trilhões de dólares - e apenas 4% desse valor seriam suficientes para acabar com a fome no mundo", ressaltou o petista, frisando ainda que as disputas comerciais estão desestabilizando o sistema comercial e aprofundando as desigualdades.

Sem mencionar países específicos, o presidente alerta para os riscos de um mundo regido pela "lei do mais forte", no qual sanções comerciais, guerras tarifárias e decisões unilaterais aprofundam desigualdades e desorganizam cadeias globais de produção.

Destaque à responsabilidade ambiental

O presidente afirma que o Brasil alia desenvolvimento econômico e social à responsabilidade ambiental, tendo reduzido pela metade o desmatamento na Amazônia nos últimos três anos. Nesse ponto, ressalta a parceria com a Alemanha, especialmente por meio do Fundo Amazônia e do novo Fundo Tropical Florestas para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que incentiva a proteção ambiental.

Lula lembra que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e que os biocombustíveis, como etanol e biodiesel, são pilares dessa estratégia há mais de 50 anos, reduzindo a dependência do petróleo e o impacto ambiental. Ele apresenta a experiência com esses combustíveis como uma oportunidade para a Alemanha e a Europa avançarem em alternativas energéticas mais limpas, baratas e seguras.

Acordo EU-Mercosul como teste do multilateralismo

Lula dedica parte significativa do texto à defesa do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, assinado no início de 2026 e com aplicação provisória prevista para começar em maio. Para o presidente, o acordo representa mais do que um tratado econômico: é um teste concreto da capacidade do sistema internacional de produzir soluções multilaterais equilibradas.

Ele ressalta que o verdadeiro sucesso do acordo não será medido em declarações diplomáticas, mas em seus efeitos reais sobre a indústria, a agricultura, o emprego e o custo de vida dos cidadãos, tanto europeus quanto sul‑americanos.

Nesse contexto, o presidente brasileiro enfatiza a importância do acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul, que entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio. "Seu sucesso demonstrará que ambos os lados se beneficiam de soluções multilaterais."

md/cn (AFP, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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