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Os números que mostram de onde vieram os 10 milhões de votos que deram virada histórica a Lula

Vitória do petista combinou uma virada em Minas Gerais, a redução de desvantagens em grandes colégios eleitorais do Sudeste e o reforço da liderança no Nordeste.

25 out 2026 - 22h45
(atualizado às 23h33)
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Resumo
Lula conquistou um quarto mandato ao vencer Flávio Bolsonaro por 51,78% a 48,22%, protagonizando uma virada inédita entre turnos. O petista somou mais de 10 milhões de votos em relação à primeira rodada ao crescer em todos os estados e no DF. O resultado foi impulsionado pela virada em Minas Gerais — único estado a mudar de lado —, pela ampliação da vantagem no Nordeste e pelo expressivo corte da diferença em grandes colégios do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, garantindo a vitória nacional.
Eleitoras de Lula celebram no Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de outubro de 2026.
Eleitoras de Lula celebram no Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de outubro de 2026.
Foto: EPA/Shutterstock / BBC News Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou um quarto mandato inédito, sendo o também o primeiro candidato à Presidência a conquistar uma virada entre turnos da história do Brasil.

Com 99,98% das seções eleitorais totalizadas, ele tinha 51,78% dos votos válidos (64.241.786 votos), contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), com 59.818.887 votos,

Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em arquivo atualizado às 22h06 de Brasília deste domingo (25/10).

No primeiro turno, em 4 de outubro, o presidente havia ficado em segundo lugar, com 53.879.538 votos (45,16%), atrás de Flávio, que recebeu 56.104.503 (47,03%).

A diferença de 2,2 milhões votos em favor do candidato do PL deu lugar a uma vantagem de 4,4 milhões de votos para Lula no segundo turno.

O petista acrescentou 10.362.248 votos ao total que havia recebido na primeira rodada. Flávio também ampliou sua votação, mas em ritmo menor: foram 3.714.384 votos a mais.

O avanço combinou uma virada em Minas Gerais, a redução de desvantagens em grandes colégios eleitorais do Sudeste e o reforço da liderança no Nordeste.

Nos resultados por unidade da Federação consultados, Lula havia aumentado seu percentual de votos válidos nos 26 Estados e no Distrito Federal em relação ao primeiro turno.

Minas muda de lado; SP concentra maior aumento de votos

Minas Gerais foi o único Estado em que a liderança mudou de candidato entre os turnos. Flávio havia vencido a primeira rodada no Estado, com 5.777.548 votos (48,24%), contra 5.188.936 de Lula (43,33%).

No segundo turno, com 99,83% das seções mineiras totalizadas, Lula tinha 6.338.292 votos (50,41%), contra 6.235.321 de Flávio (49,59%).

Uma desvantagem de 588.612 votos no primeiro turno se transformou em vantagem de 102.971 votos.

A mudança levou Lula de primeiro colocado em 12 unidades da Federação no primeiro turno para a liderança em 13 no segundo.

Flávio havia liderado em 15 e agora termina à frente em 14.

São Paulo, porém, foi o Estado em que Lula mais acrescentou votos em números absolutos. Ele passou de 9.505.413 votos (38,20%) para 12.119.274 (46,15%), um aumento de 2.613.861 votos, com 100% das seções totalizadas.

Apesar do avanço, Lula continuava atrás de Flávio no Estado. O candidato do PL passou de 12.922.023 votos (51,93%) no primeiro turno para 14.139.178 (53,85%) no segundo.

Sua vantagem, que era de 3.416.610 votos, caiu para 2.019.904. A redução de 1.396.706 votos nessa diferença foi a maior entre os Estados.

O Rio de Janeiro apresentou movimento semelhante. Lula havia recebido 3.693.021 votos (39,41%) e chegou a 4.565.286 (46,90%), com 99,99% das seções totalizadas.

Flávio manteve a liderança, com 53,10%, mas sua vantagem caiu de 1.273.823 para 603.616 votos.

Assim, ganhar votos em um Estado não significou necessariamente para Lula vencer nele. São Paulo e Rio continuaram com Flávio à frente, mas contribuíram para a virada nacional ao reduzir a diferença para o petista no cômputo geral.

Nordeste amplia vantagem que já existia

Lula manteve a liderança nos nove Estados do Nordeste e ampliou seu percentual de votos válidos em todos eles. Somados os resultados estaduais disponíveis, o petista tinha 2,95 milhões votos a mais na região do que no primeiro turno.

A Bahia foi o principal acréscimo em números absolutos na região.

Lula passou de 5.664.771 votos (66,17%) para 6.484.995 (71,31%), com 99,99% das seções totalizadas. Flávio também ganhou votos, mas o saldo entre os candidatos em favor de Lula cresceu em 654.087.

Em Pernambuco, Lula avançou de 63,45% para 69,20%, acrescentando 563.542 votos. No Ceará, passou de 63,29% para 68,93%, com 480.861 votos a mais. No Piauí, onde já tinha 70,99% no primeiro turno, chegou a 75,88%.

O Nordeste reforçou, portanto, uma vantagem já construída no primeiro turno.

Maior alta percentual ocorreu em Goiás, onde Flávio ganhou

Goiás registrou o maior aumento em pontos percentuais da votação de Lula, entre as unidades da Federação.

O petista passou de 31,06% (1.188.880 votos) para 40,34% (1.585.555 votos), uma alta de 9,28 pontos percentuais, com 100% das seções totalizadas.

Mesmo assim, o resultado permaneceu favorável a Flávio, que tinha 59,66%.

No Distrito Federal, Lula também avançou — de 38,11% para 45,72% —, mas continuou atrás do adversário.

No Amapá, que registrou a votação mais apertada do primeiro turno, Lula passou de 45,71% para 52,88% dos votos.

O presidente já havia ficado em primeiro lugar no Estado no primeiro turno, mas por apenas 225 votos: 212.503, contra 212.278 de Flávio.

Com 100% das seções totalizadas no segundo turno, a vantagem do petista passou a 24.294 votos.

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