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Lula alcança virada inédita e é reeleito presidente do Brasil

Após derrota no 1º turno, candidato de 81 anos superou Flávio Bolsonaro no 2º

25 out 2026 - 21h18
(atualizado às 21h25)
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Resumo
Em virada inédita, Lula (PT) foi reeleito presidente com 51,75% dos votos contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), após um pleito tenso marcado pela extensão da votação pelo STF e risco de judicialização. A recuperação no segundo turno apoiou-se na forte mobilização digital liderada por André Janones, queda na abstenção e pautas populares, como o fim da escala 6x1. Rumo ao quarto mandato, Lula enfrentará um Congresso ainda mais hostil diante do avanço da bancada bolsonarista.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente do Brasil. Após ter saído atrás no primeiro turno, o líder progressista conquistou uma virada inédita sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL) e alcançou, às vésperas de completar 81 anos, a maior vitória de sua carreira política.

Lula governará o Brasil até 2030
Lula governará o Brasil até 2030
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Com 99,76% das urnas apuradas, Lula tem 51,75% dos votos, contra 48,25% do Flávio, após uma jornada eleitoral caótica, com a extensão do horário de votação em duas horas, medida tomada monocraticamente por Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido a denúncias de irregularidades na oferta de transporte público em municípios como São Paulo e Salvador.

A prorrogação, no entanto, pode abrir caminho para a campanha do senador judicializar a eleição e pedir o cancelamento do segundo turno.

Lula terminou o primeiro turno pouco menos de dois pontos percentuais atrás de Flávio (45,16% a 47,03%), o que representava uma diferença de 2,3 milhões de votos, e admitiu a decepção por não ter saído vitorioso já em 5 de outubro. Agora, pode comemorar um triunfo com uma vantagem até maior do que sobre Jair Bolsonaro em 2022, quando ele ganhou por 50,90% a 48,10%.

No entanto, promoveu uma revolução em sua campanha no segundo turno, com o auxílio de jovens deputados eleitos pela esquerda e familiarizados com as redes sociais ? território onde o bolsonarismo surfou sem rivais nos últimos anos ?, como a jovem mineira Ana Elisa, do PT.

Mas o grande destaque da campanha foi o deputado federal ? também mineiro ? André Janones, escanteado durante anos pelo PT por conta de seu estilo histriônico e que conseguiu arregimentar um "exército" de apoiadores de Lula no WhatsApp.

O grupo "Exército de Lula" reuniu 10,9 milhões de pessoas mobilizadas para impulsionar o presidente nas plataformas e combater as guerrilhas digitais bolsonaristas. Janones, que sempre apostou na vitória do petista, já convocou manifestações para o próximo domingo (1º) para protestar contra a tentativa de golpe, em referência às ações para impedir parte do eleitorado de ir às urnas.

Ao mesmo tempo, contou com manifestações multitudinárias em todo o país, a última delas em São Paulo, possivelmente a maior mobilização eleitoral da história do Brasil. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19% no segundo.

O presidente também tentou assumir o controle da pauta política, sobretudo com a aprovação do fim da escala 6x1, aprovada pela maioria esmagadora da população e que teve oposição inicial de Flávio e da direita.

Além disso, tentou incutir no eleitorado o medo do retorno do bolsonarismo, lembrando com frequência a tentativa de golpe e acusando o adversário de planejar o corte de benefícios sociais, como o Bolsa Família, o que pode ter impactado o eleitorado mais pobre no Norte e no Nordeste.

Lula vai para seu quarto mandato no Palácio do Planalto, e provavelmente o mais difícil deles, já que o presidente terá diante de si um Congresso ainda mais hostil e radicalizado, após o bolsonarismo ter eclipsado a direita tradicional nas eleições para a Câmara dos Deputados e do Senado.

Ansa - Brasil
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