Lula chora ao ser reeleito e catarse toma conta de sala 'Bonadei' onde petistas acompanham apuração
Gritos de 'Zanin, Zanin', choro e abraços marcam bastidores da contagem de votos
Em clima de catarse e forte tensão em um hotel de São Paulo, Lula chorou ao ser reeleito para seu quarto mandato com 51,78% dos votos, superando Flávio Bolsonaro (48,22%) em uma disputa acirrada viabilizada pela mobilização popular e digital. A vitória histórica ocorreu em meio a divisões internas no PT, escancaradas por críticas à coordenação da campanha, deixando para o presidente o desafio de pacificar um país profundamente polarizado e conduzir a necessária renovação de seu partido.
Eleito para o quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva chorou. Prestes a completar 81 anos, na terça-feira, 27, o presidente enfrentou a mais difícil e acirrada campanha dos últimos tempos e por pouco não perdeu para Flávio Bolsonaro (PL). A virada histórica ocorreu quando aliados de Lula reunidos em um hotel de São Paulo para acompanhar a apuração dos votos já não escondiam o desespero.
Era grito, choro, abraço, aflição. "Zanin, Zanin", berravam os petistas toda vez que Lula ultrapassava Flávio, numa referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Foi ele que determinou que a votação se estendesse até às 19 horas, após problemas de restrição ao transporte público em cidades na Bahia, em São Paulo e outros oito Estados.
Lula chegou ao hotel perto de 20 horas. Cumprimentou apoiadores e logo se dirigiu à sala "Bonadei", de 66 metros, no subsolo, com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, o vice Geraldo Alckmin e coordenadores de sua campanha. Ministros, deputados e dirigentes do PT estavam em outra sala, mas logo foram chamados para se juntar a ele.
Foram momentos de muita tensão. Na hora em que Lula passou Flávio em Minas Gerais podia-se ouvir gritos de "vai virar, vai virar". A explosão de alegria veio às 21h10, quando o petista foi matematicamente reeleito. Parecia uma catarse. Lula obteve 51,78% e Flávio, 48,22%.
Agora, porém, o presidente terá o desafio de reconciliar um País dividido há pelo menos dez anos, com um racha que vem se agravando nos últimos tempos com o fortalecimento da extrema-direita no mundo.
Lula só conseguiu virar a partida porque seus apoiadores tomaram a campanha nas mãos e foram às ruas contra a volta do bolsonarismo. O "Exército do Lula", canal de WhatsApp que reuniu mais de 10 milhões de seguidores, foi comandado por André Janones (Rede-MG), um deputado que não é do PT e agiu sem a coordenação do partido.
Apesar da vitória, tanto Lula como o PT admitem que precisam renovar não apenas o discurso como suas ações. Além disso, há um racha no partido.
Na véspera deste segundo turno, por exemplo, mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp com deputados federais do PT escancararam o problema. Logo após um parlamentar postar um aviso do presidente do PT, Edinho Silva, informando que Lula acompanharia a apuração dos votos em um hotel da capital paulista - e convidando todos para estar ao lado dele -, começaram as estocadas.
"O Edinho entrou na campanha do segundo turno?", perguntou um deputado, numa referência ao presidente do PT, que também foi o coordenador-geral da campanha. "kkkk. Não entendi", respondeu outro. O primeiro interlocutor disse, então, não ter visto Edinho preocupado com a campanha de Lula no primeiro turno. "Só vi ele (sic) preocupado com a campanha dele", fustigou, lembrando que, na primeira rodada, não havia nem mesmo material para distribuir. E concluiu: "Defendo repensarmos a direção do PT".
As mensagens mostram o clima de divisão que tomou conta do partido. Agora, porém, todas as divergências serão arquivadas. Ao menos por enquanto, o PT é só festa.
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