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Guerra no STF: Começa hoje julgamento que pode definir futuro de Moraes

Ministro é suspeito de ter trocado mensagens com Vorcaro, mas nega irregularidades

15 set 2026 - 09h15
(atualizado às 09h28)
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Resumo
O STF inicia nesta terça-feira o julgamento que definirá se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, suspeito de manter contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, acusado de fraudes financeiras. O caso deflagrou uma crise interna inédita e expôs divisões no tribunal após embates entre os ministros André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a PF. Moraes nega as irregularidades e afirma ser alvo de uma farsa com motivação político-eleitoral articulada por bolsonaristas.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciam às 10h desta terça-feira (15) o julgamento que pode levar, pela primeira vez na história, um de seus membros a ser investigado, faltando menos de três semanas para o primeiro turno das eleições.

Ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em audiência do Supremo
Ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em audiência do Supremo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, é suspeito de ter trocado mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, acusado de liderar a maior fraude ao sistema financeiro já vista no Brasil.

A crise na mais alta corte do país ganhou contornos inéditos quando o ministro André Mendonça, colocado no STF por Bolsonaro, tirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens supostamente enviadas por Vorcaro a Moraes, que nega ter tido qualquer contato com o banqueiro.

Moraes, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), mas associado pelo bolsonarismo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reagiu pedindo uma investigação sobre a atuação de Mendonça no caso e o afastamento do colega no "caso Master".

A disputa chegou à PF, após Mendonça afastar o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, sob alegação de irregularidades na produção de relatórios de inteligência sobre ele. Em seguida, Flávio Dino, levado ao STF por Lula, suspendeu o afastamento de Rodrigues e criticou a atuação de Mendonça, expondo a divisão entre os ministros do tribunal.

Diante da escalada, o presidente do Supremo, Edson Fachin, assumiu o controle da crise e suspendeu as decisões divergentes de Mendonça e Dino, além de marcar para esta terça uma sessão para decidir se Moraes deve ser investigado por sua suposta relação com Vorcaro.

A PF aponta que o banqueiro enviou 52 mensagens ao ministro nas semanas que antecederam sua prisão e a liquidação do Banco Master. O relatório, no entanto, não cita as supostas respostas de Moraes. "Estamos juntos desde sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo", diz um dos textos que teriam sido enviados por Vorcaro.

Além disso, o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 130 milhões com o Master. Moraes, por sua vez, se pronunciou publicamente sobre a crise pela primeira vez e disse na última segunda-feira (14) que não cometeu nenhuma irregularidade.

"Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada, e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal", afirmou o ministro, em referência aos bolsonaristas.

"O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o juiz relator das ações contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil", acrescentou.

Ansa - Brasil
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