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Governo italiano não esclarece se irmãos Bolsonaro furaram fila da cidadania; caso irá à justiça

Passaram-se 58 dias entre a apresentação dos documentos dos irmãos Bolsonaro na Embaixada da Itália em Brasília e o reconhecimento da cidadania italiana. A informação foi confirmada hoje (6), durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados da Itália, pela subsecretária Matilde Siracusano, representante do governo de Giorgia Meloni no Parlamento.

6 nov 2026 - 11h42
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Resumo
O deputado Angelo Bonelli levará à Justiça italiana a suspeita de favorecimento aos irmãos Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro na obtenção da cidadania daquele país. O processo da família levou cerca de um a dois anos em Brasília — tempo muito inferior aos dez anos registrados em outras unidades. Sem esclarecer se o trio furou a fila, o governo alegou apenas que reuniu os pedidos por terem o mesmo antepassado e que pendências judiciais não impedem o direito ao reconhecimento por descendência.

Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão

Em uma interpelação dirigida ao governo, o deputado italiano Angelo Bonelli, do partido de esquerda Europa Verde, havia questionado se os irmãos Bolsonaro teriam recebido prioridade no reconhecimento da cidadania italiana.

Segundo Siracusano, Eduardo Bolsonaro entrou na lista de espera da Embaixada italiana em Brasília em 22 de dezembro de 2020. Carlos e Flávio Bolsonaro fizeram o mesmo meses depois, em 26 de outubro de 2021. Os três foram convocados juntos para apresentar a documentação em 8 de novembro de 2022. A representante do governo afirmou que convocar ao mesmo tempo pessoas que entraram na fila em datas diferentes é comum quando elas descendem de um mesmo antepassado.

A espera de Eduardo na fila para a convocação foi de um ano e 10 meses. Para Flávio e Carlos, foi de cerca de um ano. As cidadanias foram reconhecidas em 5 de janeiro de 2023. Os 58 dias foram contabilizados a partir da convocação para avaliação do processo. 

Esse período é consideravelmente menor do que o registrado por muitos outros descendentes de italianos no Brasil. No consulado em São Paulo, a fila de espera chegou a ultrapassar dez anos. Especialistas ressaltam, porém, que o tempo de espera variava entre as unidades consulares.

O governo italiano, no entanto, não respondeu às perguntas de Bonelli sobre o tamanho da fila em Brasília na época em que os irmãos fizeram a solicitação nem sobre se eles passaram à frente de outros requerentes. Para o deputado, os dados apresentados já indicam que houve prioridade.

Proximidade dos Bolsonaro com a Liga

No Parlamento, Bonelli afirmou que levará a denúncia às autoridades judiciais, ressaltando também a proximidade da família Bolsonaro com o partido italiano de extrema direita Liga, um dos integrantes da coalizão de governo, liderado por Matteo Salvini. "É uma questão relacionada à preservação e à proteção dos procedimentos relativos aos italianos no exterior que não puderam receber esse tratamento", afirmou o deputado.

Bonelli também indicou que Eduardo e Flávio estariam usando os passaportes italianos como forma de fuga, já que há uma condenação no Brasil contra o primeiro e processos em andamento contra o segundo.

De acordo com a subsecretária Siracusano, a existência de processos na justiça não altera o direito à cidadania. "No momento da emissão dos passaportes, não constavam na Embaixada da Itália em Brasília pendências judiciais contra os três irmãos. Convém lembrar que o reconhecimento da cidadania italiana jure sanguinis não prevê uma avaliação discricionária por parte da administração: cabe ao responsável pelo processo apenas verificar se o requerente cumpre os requisitos estabelecidos pela legislação vigente", afirmou.

Os irmãos Bolsonaro tiveram a cidadania italiana reconhecida com base na descendência de um trisavô, originário do Vêneto, que emigrou para o Brasil. Em 2025, um decreto-lei do governo, posteriormente convertido em lei, restringiu o reconhecimento da cidadania por descendência para pessoas nascidas no exterior.

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