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Flávio chama resultado de "sacanagem" e não reconhece derrota

26 out 2026 - 04h11
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Resumo
Após a vitória de Lula no segundo turno com 51,79% dos votos, Flávio Bolsonaro (48,21%) recusou-se a reconhecer a derrota e anunciou que pedirá a anulação da eleição. O senador alega que a decisão judicial de estender o horário de votação por duas horas prejudicou a isonomia do pleito. Contudo, o TSE garantiu a segurança do processo eleitoral, e analistas avaliam que Flávio tem pouco espaço político para articular manobras golpistas ou reverter a ampla vantagem obtida pelo petista.

Senador disse que vai buscar a anulação das eleições. Cientista político vê pouco espaço para que Flávio tente movimento golpista semelhante ao de Jair Bolsonaro após derrota em 2022.Após ter sofrido uma virada histórica no segundo turno, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) se negou a reconhecer o resultado das urnas.

Flávio Bolsonaro após a derrota para Lula
Flávio Bolsonaro após a derrota para Lula
Foto: DW / Deutsche Welle

Ultrapassado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por cerca de 4,4 milhões de votos, Flávio afirmou que vai atuar para tentar anular a eleição encerrada neste domingo (25/10), classificando o resultado como "inaceitável" e uma "sacanagem".

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico e vamos pedir a anulação dessas eleições", disse Flávio Bolsonaro, após a divulgação da votação, que terminou com a vitória de Lula com 51,79% dos votos, contra 48,21% do candidato do PL. A diferença entre os dois candidatos foi de 3,5 pontos. No primeiro turno, o senador havia terminado com uma vantagem de 1,87 ponto sobre Lula.

Flávio elaborou que sua posição de não reconhecer o resultado ocorre por conta da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação em duas horas em todo o país. A prorrogação atendeu a um pedido do PT, que apontou que diversas cidades haviam prejudicado o deslocamento de eleitores ao não disponibilizarem ônibus suficientes, no que foi visto como uma tentativa de supressão de votos.

A decisão de Zanin, inédita e divulgada pelo Supremo um minuto depois das 17h, quando milhares de seções eleitorais já haviam sido encerradas, acabou inicialmente provocando confusão e dúvidas entre mesários e chefes de seção. Como consequência, a divulgação da contagem também foi atrasada em duas horas.

Apesar de a decisão de Zanin ter sido posteriormente referendada por um movimento semelhante do ministro Kassio Nunes Marques, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é visto como um aliado do bolsonarismo, Flávio ainda disse ver o movimento de prorrogação como inaceitável.

"A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal", afirmou Flávio a jornalistas ao lado de aliados, na frente de seu QG de campanha, em Brasília. "Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu", disse o candidato derrotado.

O PT, no entanto, não foi a única parte a pedir uma prorrogação do período reservado para a votação. Ainda no início da tarde, o PL de Flávio pediu uma prorrogação semelhante em 17 municípios, alegando que chuvas e alagamentos haviam prejudicado o movimento de eleitores nesses locais.

Apesar das acusações de Flávio sobre a prorrogação, Kassio Nunes Marques afirmou que a segurança das eleições não foi comprometida.

"Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Houve prorrogação na forma em que foi decidida. O TSE cumpriu a decisão nos estritos termos em que ela foi proferida e logo após demos fluência à totalização e à disponibilização. Então, temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral", disse Nunes Marques ao anunciar o resultado das eleições.

Cientista político vê pouco espaço para Flávio tumultuar fase pós-eleição

Antes mesmo da divulgação do resultado final, figuras do bolsonarismo já indicavam que não aceitariam uma derrota na esteira da prorrogação do horário. "Ou a gente ganha ou a gente ganha. Tá avisado", disse o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais agitadores do bolsonarismo nas redes sociais, antes do anúncio do resultado.

Em 2022, após perder o segundo turno da eleição presidencial, o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também evitou reconhecer a derrota. Posteriormente, Jair foi acusado de liderar uma trama golpista para tentar impedir a possa de Lula. A tramoia, que contou com articulações com generais das Forças Armadas e teve como clímax os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, acabou levando o Supremo a condenar o ex-presidente a mais 27 anos de prisão. Preso e com direitos políticos cassados, Jair acabou passando o bastão político do clã para Flávio.

O cientista político Oliver Stuenkel vê menos espaço para que Flávio se lance numa nova trama golpista para reverter o resultado deste domingo.

"Presumo que a recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer o resultado seja menos disruptiva do que a recusa de seu pai em conceder a vitória há quatro anos", afirmou Stuenkel, numa postagem na rede X. "Diferentemente de Jair Bolsonaro em 2022, Flávio não controla o governo. Tampouco passou meses antes da votação, como seu pai fez, lançando dúvidas sobre as urnas eletrônicas, uma campanha que convenceu muitos dos eleitores de seu pai."

"Flávio fez isso uma vez, em julho, e depois recuou. Finalmente, a margem de Lula, de mais de 4 milhões de votos, cerca de duas vezes a sua margem de 2022, é provavelmente ampla demais para que uma alegação de irregularidades convença muitos além base apoiadores mais dedicados dos Bolsonaros", concluiu.

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