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Brasil

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Recuperação no Sudeste turbinou vitória decisiva de Lula sobre Flávio

26 out 2026 - 03h01
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Resumo
Eleito para um quarto mandato com 4,4 milhões de votos à frente de Flávio Bolsonaro, Lula protagonizou uma virada histórica impulsionada pelo Sudeste. Embora o rival tenha liderado na região, 46,7% dos 10,3 milhões de votos extras do petista vieram de lá, com destaque para a vitória em Minas Gerais e nas capitais paulista e fluminense. Esse expressivo avanço no colégio eleitoral do Sudeste, somado à ampla e tradicional vantagem obtida no Nordeste, foi determinante para a vitória do presidente.

Quase metade dos 10,3 milhões de votos extras que petista obteve no segundo turno vieram do Sudeste, região onde ocorreu a maior movimentação de eleitores para a candidatura do petista.Eleito para um quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o segundo turno neste domingo (25/10) com uma vantagem de 4,4 milhões de votos sobre o rival Flávio Bolsonaro (PL), ou cerca de 3,5 pontos percentuais.

Apoiadores de Lula na Avenida Paulista durante celebração da nova vitória do presidente
Apoiadores de Lula na Avenida Paulista durante celebração da nova vitória do presidente
Foto: DW / Deutsche Welle

Em relação à sua votação no primeiro turno, Lula acrescentou 10,3 milhões de votos extras.

Flávio vence no Sudeste, mas região deu impulso para vantagem nacional de Lula

Já Flávio Bolsonaro terminou a corrida presidencial em primeiro lugar no Sudeste, que concentra 66,7 milhões de eleitores, ou 41,8% do total nacional. Em pontos percentuais, o político de extrema direita garantiu 52,76% dos votos na região, contra 47,24% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou vencendo a eleição.

À primeira vista, o resultado no Sudeste pode ser encarado como uma pequena derrota para Lula no contexto de uma eleição vitoriosa em termos nacionais. Entre todas as regiões do país, Lula só ficou confortavelmente à frente de Bolsonaro no Nordeste e levemente no Norte.

No entanto, apesar de o Nordeste ter desempenhado mais uma vez o papel de grande piso de votos de Lula, foi no Sudeste que ocorreu a maior movimentação de votos em termos absolutos na direção do petista no segundo turno.

O movimento - que ainda incluiu uma virada em Minas Gerais - ajudou o presidente a protagonizar uma inédita virada no segundo turno, após terminar a primeira rodada em desvantagem, cerca de 2,2 milhões de votos atrás de Flávio.

Embora Flávio tenha terminado em primeiro lugar no Sudeste, com 26,84 milhões de votos, contra 24,04 milhões de Lula, foi nessa região que a diferença entre os dois candidatos sofreu a maior redução em números absolutos entre um turno e outro.

Ambos os candidatos cresceram na região, mas Lula conseguiu avançar mais.

Dos 10,3 milhões de votos a mais que Lula recebeu entre um turno e outro em todo o Brasil, 4,8 milhões foram depositados no Sudeste.

Outros 2,95 milhões foram depositados no Nordeste, e 1,3 milhão no Sul. Nas regiões Centro-Oeste e Norte, Lula também ampliou levemente a votação. Na primeira, foram 474 mil votos a mais. Na segunda 770 mil.

Ou seja, de todos os votos extras que Lula recebeu na segunda rodada, 46,7% vieram do Sudeste, região que conta com os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ainda no Sudeste, Lula venceu em duas capitais: São Paulo e Rio de Janeiro.

Já Flávio Bolsonaro acrescentou 3,7 milhões de votos em todo o país entre o primeiro e o segundo turnos. No Sudeste, o acréscimo de Flávio foi de apenas 1,94 milhão de votos.

No final, a vantagem de 5,66 milhões de votos do senador do PL no primeiro turno na região Sudeste acabou sendo reduzida para 2,81 milhões na segunda rodada.

Virada em Minas Gerais

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e considerado um estado que reflete a eleição nacional, Lula transformou uma desvantagem de quase 589 mil votos registrada no primeiro turno para uma vantagem de 107 mil votos no segundo.

No estado, Lula acabou acrescentando cerca de 1,16 milhão de votos entre os dois turnos, enquanto Flávio cresceu apenas 461 mil. Com a virada no estado, Lula manteve uma tradição mantida desde a redemocratização: em todas as eleições presidenciais diretas desde 1989, o vencedor de Minas Gerais também é quem leva o comando do Planalto.

Lula amplia votação Nordeste, que continua sendo região crucial para o PT

Principal reduto eleitoral do PT no país, a região Nordeste foi a região que liderou a quantidade de votos para Lula, tanto em números absolutos quanto proporcionais.

No segundo turno, o presidente recebeu 24,45 milhões de votos no Nordeste, 69,37% do total na região, contra 10,79 milhões de Flávio (30,63%). Em números absolutos, a diferença foi de 13,65 milhões a favor do petista.

Entre um turno e outro, Lula acrescentou 2,95 milhões de votos na região, enquanto Flávio só avançou 397 mil. Assim como já havia ocorrido em 2022 contra Jair Bolsonaro, a votação esmagadora no Nordeste ajudou a contrabalancear a vantagem de Flávio no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Em termos nacionais, o Sudeste respondeu por 44,87% da votação de Flávio em todo o país e 37,41% da votação de Lula. Já o Nordeste alimentou 38,05% da votação de Lula em todo o país, e apenas 18,05% de Flávio.

Presidente também avançou em redutos bolsonaristas no Sul

Embora o Sul tenha sido no segundo turno a região onde Flávio Bolsonaro obteve sua melhor votação proporcional, Lula também conseguiu avançar entre os eleitores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na última rodada.

Na região, Flávio recebeu 11,3 milhões de votos, ou 62,58%, enquanto Lula obteve 6,8 milhões. No entanto, entre um turno e outro, Lula conseguiu acrescentar mais votos que Flávio entre os sulistas. Enquanto o senador do PL obteve 866 mil votos a mais no segundo turno, Lula garantiu 1,33 milhões de votos extras nesta rodada.

Com isso, a vantagem de 5,04 milhões obtidas por Flávio no primeiro turno foi reduzida para 4,58 milhões no segundo. No Paraná, Lula conseguiu cerca de 500 mil votos extras e um número pouco superior no Rio Grande do Sul.

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