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Fim da escala 6x1 vira tema central da estratégia de reeleição de Lula, aponta jornal francês

Enquanto no Brasil a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre redução da jornada de trabalho começou a tramitar na Câmara dos Deputados, o jornal francês Les Echos desta quarta-feira (25) traz uma matéria sobre o fim da escala 6x1 no Brasil. O texto diz que a proposta é "ponto central da agenda social e da campanha de reeleição do presidente Lula".

25 fev 2026 - 11h06
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A reportagem do Les Echos informa que diferentes projetos já circulam no Congresso brasileiro propondo a redução da atual jornada de 44 horas semanais para 40 horas, ou até 36 horas.

O jornal francês Les Echos desta quarta-feira, 25 de fevereiro, traz uma matéria sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, dizendo que a reforma é "ponto central da agenda social e da campanha de reeleição do presidente Lula".
O jornal francês Les Echos desta quarta-feira, 25 de fevereiro, traz uma matéria sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, dizendo que a reforma é "ponto central da agenda social e da campanha de reeleição do presidente Lula".
Foto: © Sajjad HUSSAIN / AFP / RFI

O correspondente do diário em São Paulo, Thierry Ogier, escreve que a PEC sobre fim da escala 6x1 "é a grande reforma proposta pelo petista para facilitar sua reeleição em outubro".

Segundo o jornal, no entorno do presidente brasileiro há consenso de que "a reforma deve ser aprovada antes das eleições de outubro", quando Lula pretende disputar um quarto mandato.

Para a esquerda, essa é uma bandeira de justiça social, já que cerca de 30 milhões de assalariados ainda trabalham seis dias por semana. A matéria destaca a frase de Lula de que é hora de "pensar no bem‑estar das pessoas".

Vários ministros, como Guilherme Boulos, citado pelo jornal como próximo aos sindicatos, fazem campanha e mobilizam os trabalhadores nas fábricas para pressionar o Congresso a aprovar a proposta, considerada "justa e legítima".

Resistências e críticas

O tema não é novo. Ele já foi defendido por Lula antes de sua primeira eleição presidencial, há mais de 20 anos, mas encontra resistência do setor empresarial, salienta Les Echos. A Fiesp, a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, afirma que a redução da jornada prejudica a flexibilidade necessária à competitividade internacional. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, teme ainda pressões inflacionárias.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ligado ao governo, estima que o custo do trabalho pode aumentar entre 1% e 7,8%, dependendo do setor, mas o impacto social positivo representa uma grande vantagem. O IPEA argumenta que a medida "reduziria as desigualdades no mercado formal", já que jornadas mais longas são comuns justamente entre trabalhadores de baixa renda e alta rotatividade.

A reportagem afirma que a opinião pública brasileira é amplamente favorável ao fim da escala 6x1. O governo Lula, que já isentou do imposto de renda os trabalhadores que ganham até R$ 5.000 por mês, espera tirar proveito eleitoral desses benefícios sociais, reforça o correspondente do Les Echos.

Analistas, porém, apontam desafios, como a baixa produtividade histórica do país, e o risco de efeitos indesejados, já que o desemprego está relativamente baixo. Com menos horas formais, alguns trabalhadores poderiam acumular empregos informais.

Um francês que tem longa experiência no mercado brasileiro, ouvido pelo jornal, diz que a proposta "nem sequer é uma boa política de esquerda; o ideal seria aumentar o valor horário do salário mínimo".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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