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Brasil

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Em virada histórica, Lula derrota bolsonarismo e conquista 4° mandato

25 out 2026 - 21h16
(atualizado às 22h12)
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Resumo
Em uma virada inédita no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro com 51,77% dos votos válidos e garantiu seu quarto mandato presidencial com um recorde de 64 milhões de votos. Após ficar atrás na primeira fase de um pleito tenso e marcado pela prorrogação das votações, o petista reverteu o resultado com forte mobilização popular, mantendo a esquerda no comando do país, embora agora enfrente um Congresso de maioria conservadora.

Em virada nunca antes vista em eleições presidenciais e numa votação marcada por confusão nas horas finais, Lula supera rival Flávio Bolsonaro por mais de três pontos de vantagem, mantendo esquerda no poder.Em uma virada histórica, os brasileiros elegeram neste domingo (25/10) Luiz Inácio Lula da Silva (PT) novamente para a Presidência, concedendo ao petista um quarto mandato e impondo uma derrota ao bolsonarismo, que tentava voltar ao poder após a derrota de 2022.

Com 99,91% das urnas apuradas, Lula havia conquistado 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% contra o rival Flávio Bolsonaro (PL), que substituiu seu pai, Jair Bolsonaro, no pleito.

A vantagem de Lula sobre Bolsonaro foi de cerca 3,5 pontos, após uma contagem marcada por reviravoltas, na qual os dois candidatos intercalaram a primeira posição por diversos momentos.

Em um segundo turno marcado por redução da abstenção e dos votos brancos e nulos, Lula conseguiu 10,2 milhões de votos a mais, enquanto Flávio só conseguiu expandir sua votação em cerca de 3,5 milhões, sofrendo ainda virada no estado de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.

Em relação ao primeiro turno, a abstenção caiu de 21,08% para 19,19%, enquanto os votos brancos foram de 1,84% para 1,12% e os nulos, de 2,93% para 2,12%.

Resultado histórico

Ao conquistar um quarto mandato, Lula deve somar 16 anos à frente da Presidência - ficando atrás apenas de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na história da República.

O resultado não é histórico apenas pela quantidade de mandatos acumulados por Lula: também foi a primeira virada já registrada num segundo turno presidencial. Segundo colocado na primeira rodada, Lula foi bem-sucedido em reverter a desvantagem inicial com uma estratégia que mesclou uma intensa mobilização de sua base em atos de rua, maior presença nas redes sociais e advertências sobre o risco da volta do bolsonarismo ao poder.

A vitória de Lula também mantém a centro esquerda no poder do maior país da América do Sul, após uma onda de países da região como a Argentina, o Chile, a Colômbia e o Peru elegerem presidentes de ultradireita nos últimos anos.

Para o bolsonarismo, o resultado marca a segunda derrota consecutiva para o lulismo. Após terminar o primeiro turno na liderança, Flávio chegou num primeiro momento a se portar como favorito a vencer o pleito, discutindo a montagem de um eventual governo e seus projetos para o Congresso. Agora, a derrota deixa o senador Flávio sem um mandato eletivo pela primeira vez desde 2003.

A divulgação do resultado da eleição também demorou mais do que em eleições passadas, após uma ordem de prorrogação nacional por duas horas do horário de votação, na esteira de acusações de que a falta de transporte público em diversas regiões do país prejudicou o deslocamento de eleitores.

A decisão, inédita e divulgada pelo Supremo um minuto depois das 17h, quando milhares de seções eleitorais já haviam sido encerradas, acabou provocou confusão e dúvidas entre mesários e chefes de seção, levantando ainda o temor de que as eleições ainda possam ser alvo de contestação.

Antes mesmo da divulgação do resultado final, figuras do bolsonarismo já indicavam que não aceitariam uma derrota na esteira da prorrogação do horário. "Ou a gente ganha ou a gente ganha. Tá avisado", disse o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais agitadores do bolsonarismo nas redes sociais.

A busca de Lula pelo quarto mandato após tropeço no primeiro turno

Nas 10 eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi ou tentou se apresentar como candidato em oito delas. Com o presidente se aproximando dos 81 anos, essa provavelmente foi a última disputa presidencial com seu nome nas urnas, após mais de 35 anos de participação em disputas, seja como candidato ou padrinho político.

Apesar de ter largado inicialmente na frente nas pesquisas de 2026, o primeiro turno se mostrou difícil para o petista. Em relação à primeira etapa de 2022, Lula tinha perdido cerca de 3,4 milhões de votos, além de ficar atrás de Flávio Bolsonaro por cerca de 2,2 milhões de votos.

Após o choque inicial, a campanha do petista colocou em marcha uma nova estratégia de reorganização que envolveu eventos com contato direto com a população, como atos de rua para reanimar a base, deixando de lado comícios mais tradicionais e encontros fechados.

A campanha ainda passou a fazer uso mais intenso das redes sociais para agitar eleitores e criticar Flávio Bolsonaro, com o deputado André Janones (Rede-MG) ganhando espaço na estratégia.

Lula também redobrou anúncios de benefícios para a população, como subsídios para combustíveis, uma ampliação do Pé-de-Meia para universitários, desonerações e perdão de dívidas, entre outras medidas. Em debates, Lula ainda tentou explorar escândalos de Flávio e propôs que os dois candidatos abrissem seus sigilos, além de falar em defesa da soberania e da democracia. No último debate na Globo, Lula sintetizou como via o que estava em jogo:

"Ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando esse país dentro do Palácio do Planalto, o que não é bom para ninguém. Não faça essa experiência", advertiu o petista.

Historicamente, o cenário não era favorável a Lula, já que as eleições brasileiras nunca haviam registrado uma virada entre um turno e outro.

Mas viradas já eram uma especialidade de Lula.

Preso e barrado do pleito de 2018, Lula já havia protagonizado uma das reviravoltas políticas mais dramáticas da história brasileira ao recuperar seus direitos políticos e depois derrotar em 2022 o então presidente Jair Bolsonaro e conquistar um terceiro mandato.

Após vencer o pleito de 2022, Lula reposicionou o país no cenário internacional, após os anos de isolamento sob Bolsonaro. Vários indicadores econômicos mostraram sinais de melhora após declínio no final da gestão Bolsonaro. O país registou números recordes de empregabilidade, com uma taxa de desemprego de 5,3%, assim como os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica (desde 2012). Entre as promessas cumpridas por Lula desde 2022, estão a aprovação da reforma tributária e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

No entanto, o governo permaneceu sem solucionar problemas como o déficit das contas públicas público e ainda viu índices como inadimplência explodirem. Apesar da melhora de vários índices, houve a persistência de um sentimento negativo entre muitos eleitores em relação ao custo de vida, de forma semelhante ao que ocorreu com o ex-presidente democrata Joe Biden nos EUA em 2024.

Apesar dos problemas, Lula apostou na campanha tanto na sua biografia quanto num discurso de defesa da soberania frente a uma série de investidas dos EUA, que agiram para tentar beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. O slogan da campanha de Lula foi "O Brasil pronto pra mais". Desta vez, Lula não só conseguiu uma virada inédita no segundo turno, como obteve a maior votação já registrada por um candidato à Presidência do Brasil, com 64 milhões de votos - o recorde anterior era do próprio Lula, quando o petista conquistou 60 milhões em 2022.

Prestes a completar 81 anos, Lula também deve quebrar o recorde de pessoa mais velha a tomar posse como presidente do Brasil - o recorde anterior também era dele, 77 anos em 1° de janeiro de 2023.

Apesar da vitória histórica, o quarto mandato de Lula não deve ser fácil. Após uma onda de direita que varreu o Congresso no primeiro turno, o petista deve se deparar com uma Câmara e um Senado mais hostis, com ambas as Casas turbinadas por uma expansão das bancadas bolsonaristas.

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