Em um dos últimos atos públicos de campanha, Lula mobiliza mineiros para promover "virada"
Uma multidão de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva lotou a região central de Belo Horizonte nesta quarta-feira (22), em um dos últimos grandes atos de campanha do candidato petista à presidência. Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e um estado-chave para o resultado do pleito, deu vitória a Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Em ato de campanha em Belo Horizonte, Lula buscou mobilizar eleitores para virar a disputa presidencial em Minas Gerais contra Flávio. Para reverter a desvantagem do primeiro turno, o petista destacou ações recentes do governo, como o perdão de dívidas de MEIs e a PEC do passe livre. O evento também foi marcado por ataques ao rival e pela polêmica sobre a abertura de sigilos bancários de ambos os lados, tema que acirrou as trocas de acusações na reta final da eleição.
Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Belo Horizonte
"Eu acredito, eu acredito. Esse grito os mineiros não podem esquecer", disse o candidato à militância. Em 4 de outubro, Lula ficou com 43,33% dos votos em Minas Gerais, contra 48,24% para Flávio. A diferença foi de pouco mais de 580 mil votos.
"Vocês precisam conversar com as pessoas. O cara pode ter o direito de não votar no Lula, mas ele não pode votar em um miliciano para ser presidente desse país", argumentou o petista. "Não é possível que alguém queira colocar o crime organizado dentro do Palácio do Planalto."
Medidas na reta final da campanha
Com a voz enfraquecida pela campanha intensa para o segundo turno, Lula defendeu uma série de medidas adotadas por seu governo nos últimos dias na tentativa de reverter os resultados do primeiro turno.
Depois de conseguir a promulgação da jornada de trabalho 6x1, ele enviou para o Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tornar o transporte público urbano gratuito aos finais de semana e feriados. Também nesta quarta, sancionou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de trabalhadores por MEI e subiu o limite de faturamento dos autônomos. As medidas podem beneficiar mais de 17 milhões de microempreendedores.
O candidato percorreu a manifestação em um carro aberto, ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Padilha, e da senadora eleita de Minas Gerais Marília Campos. Nomes como o escritor Ailton Krenak e a deputada federal Célia Xakriabá, ambos indígenas naturais do estado, também participaram.
"Nós estamos todos ativamente provocados a defender a democracia. Não tenho dúvida de que nós estamos virando", afirmou Krenak à RFI.
Campanha intensificada em Minas
O revés em Minas Gerais - que em 2002 havia preferido Lula a Jair Bolsonaro - levou o petista a fortalecer a campanha no estado nas últimas semanas: antes de Belo Horizonte, ele esteve em Juiz de Fora e Ipatinga.
"Olha quanta gente tem aqui e tem tido a cada manifestação. As pessoas viram o perigo, no primeiro turno, e agora tem muita gente disposta a mudar isso", disse Luiza, que aos 16 anos participa pela primeira vez de uma eleição.
"Eu acho que o erro inicial da campanha é que a esquerda até hoje não aprendeu a falar uma linguagem não elitista. Não é sobre Goethe e filósofos: a questão é você: você vai perder direitos se Flávio ganhar", analisou a aposentada Rosana, de 81 anos. "Nasci no pós-guerra, meu pai foi lutar contra o fascismo e eu atravessei todo o período nefasto da ditadura. E agora não estou preocupada. Estou é ansiosa para comemorar no domingo", completou.
"A gente tem trabalhado de uma forma que a gente não vinha fazendo e acredito muito na virada", comentou outro eleitor, membro do Levante Popular da Juventude. "A gente não fez tanto o trabalho de base para as eleições presidenciais, e focou mais no Senado e na Câmara. Agora a gente está compensando, estamos todos nos esforçando 10 vezes mais", disse o psicólogo.
Disputa em torno dos sigilos
Na multidão, um dos gritos mais entoados era "Flávio, abre o sigilo", em referência ao desafio feito por Lula para que ambos os candidatos à presidência ofereçam transparência sobre suas contas bancárias, em meio ao escândalo do Banco Master.
A campanha do candidato do PL protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta formal à proposta, que ele classificou como "um gesto para as câmeras a cinco dias do segundo turno".
Flávio diz que "autorizou a quebra de sigilos dos últimos 20 anos" e "não se opõe ao levantamento do sigilo de todas as mensagens que trocou com o banqueiro Daniel Vorcaro".
Em comício de campanha em Guarulhos nesta manhã, o candidato da direita condicionou a medida a Lula abrir os registros de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e do Instituto Lula, que acusa de ter se beneficiado de repasses do ex-banqueiro.
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