Em reunião ministerial, Lula acusa Flávio de querer entregar Brasil para os EUA, diz Gleisi
Em sua última reunião com a equipe ministerial titular, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o tom para a dura campanha eleitoral que vem pela frente e acusou seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de planejar entregar o Brasil para os Estados Unidos, caso seja eleito.
"Ele (Flávio) estava lá nos Estados Unidos. O presidente (Lula) só constatou, foi isso. Falou o que ele fez lá, ele foi lá se entregar para os Estados Unidos", disse a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
A reunião ministerial marcou a transição de governo, com a saída de ministros que vão concorrer nas próximas eleições e a entrada de substitutos -- de um modo geral, os secretários-executivos assumiram as pastas. Outros quatro ministros, segundo o presidente, devem sair até o final da semana.
Lula pediu a seus ministros que irão para a campanha que saiam para o embate, mostrem o que o governo fez e não fiquem na defensiva. O presidente citou outras ocasiões em que o governo ficou apenas respondendo acusações da oposição, e afirmou que é preciso controlar a narrativa.
"Ele pediu para que se falasse muito sobre as questões que o governo está entregando, sobre os novos posicionamentos. E que enfrentássemos os embates, que não deixasse que venha só do outro lado críticas, que a gente faça enfrentamento e a disputa política, ir para o ataque também. Até porque temos muito mais para falar, para entregar", contou Gleisi.
De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, Lula também mostrou preocupação com as eleições para o Senado, que vários de seus ministros vão disputar este ano, e chegou a dizer que se o outro lado vencer a maioria das vagas, a democracia no país corre grandes riscos.
A disputa pelo Senado deve ser uma das mais duras dessa eleição, depois da presidencial, com os dois lados visando uma maioria.
INFLAÇÃO
Lula ainda demonstrou preocupação com o preço do petróleo e o impacto da guerra no Irã na inflação de alimentos no país.
Segundo a fonte, o presidente criticou os ataques ao Irã e disse, mais uma vez, que o impacto será sentido principalmente pelos mais pobres, e afirmou que o governo tomou medidas mas terá que fazer novas ações para tentar controlar a inflação de alimentos.
COMUNICAÇÃO
Outro ponto de destaque na reunião ministerial foi a questão da comunicação de governo. O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, foi cobrado quatro vezes pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que as pessoas precisam saber o que o governo está fazendo e que é preciso mostrar a comparação entre o que Lula fez e o que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez em quatro anos de mandato.
A fala de Sidônio não foi transmitida, mas segundo Gleisi, Sidônio ressaltou que a divulgação das ações do governo está sendo feita, mas que há limitações financeiras.
"Mas a partir da semana que vem vamos ter comerciais por Estado, por região, mostrando o que a gente fez em cada Estado, principais obras", contou a ministra.
Sidônio também disse que vem usando muito as redes sociais e pediu que os ministros falassem mais, que a divulgação não é apenas de mídia, mas também a fala, uma ação política para mostrar o que o governo fez e faz.